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09 05 2017

Riportiamo di seguito, in versione orginale (lingua portoghese), un articolo di José Menezes Gomes, più volte collaboratore nel passato della rivista. Nonostante la questione del debito sia focalizzata su uno tra gli stati più poveri del Brasile (Alagoas) ci sembra opportuno riportare lo scritto poiché il discorso è ben incastonato all’interno della questione più ampia della crisi del capitale e del dominio di classe che negli anni ha usufruito anche dell’arma del debito pubblico per innalzare i livelli di sfruttamento. [*.*]

Dívida Pública Alagoana: dominação financeira, crise fiscal  e a superexploração da força de trabalho.

José Menezes Gomes (professor do Curso de Economia de Santana e do mestrado em serviço social da UFAL e Coordenador do Núcleo da ACD – Alagoas)

Neste artigo pretendemos mostrar que as atuais iniciativas dos governos estaduais: renegociar a dívida pública junto a União, como determina o Projeto de Lei Complementar – PLP 257, que prevê um regime de recuperação fiscal dos estados, a criação de leis estaduais que estabelecem um teto de gastos sociais, de acordo com os princípios da Lei  55, visam acelerar o processo de privatização das estatais estaduais e a introdução de Organizações Sociais (OS) na prestação de serviços públicos. Tudo isso faz parte  das exigências do Sistema da dívida e do  seu processo de dominação financeira sobre o fundo público. Tal processo resultou  das várias etapas da crise capitalista nos países centrais e do aprofundamento da crise fiscal e financeira do Estado e da politica de juros altos no inicio de 1980[1], que permitiram que a dívida pública se tornasse uma crescente fonte de rendimento como também da apropriação do patrimônio estatal,  através das privatizações como forma de materializar parte da riqueza fictícia. Todas estas ações visam dar marco legal a uma nova etapa de priorização do rentismo, enquanto eliminam direitos,  aprofundam os ataques aos serviços públicos e aos direitos sociais.

OS ANTECEDENTES DO SISTEMA DA DÍVIDA

Esta busca do capital por outras fontes de rendimentos com base na dívida pública não é fenômeno recente. Bukharin (1974) no inicio do século XX, visando estudar a diferença metodológica da escola austríaca, especialmente Bohn – Bawerk, elaborou o livro a economia política do rentista, finalizado em 1914. Neste livro ele identificou uma camada de rentista que tendia a crescer constantemente, pois a cada ano a burguesia fazia aparecer um volume maior de capital excedente. Como a emissão de ações nas bolsas absorvia apenas uma pequena parte destes recursos, os títulos públicos  acabaram atraindo uma grande parte deste excedente[2]:

“A burguesia se transforma numa massa de rentista que mantêm com as grandes instituições financeiras as mesmas relações que com o Estado, de quem compra os bônus do Tesouro. Com isso a burguesia tende a deslocar seus recursos para o Estado, mesmo oferecendo rendimentos menores que as ações, mas com menor risco. Em consequência esta camada tenderá a emprestar ao Estado quanto maior a segurança oferecida por este” (BUKHARIN, 1974, p 31).

 

Esta busca por títulos públicos pelo capital excedente descrito por Bukharin (1974) tornou-se cada vez mais intensa dentro do desenvolvimento do capitalismo e da agudização de suas contradições. Para entendermos a atualidade deste processo necessitamos fazer a reconstituição das etapas que antecederam a este fenômeno, bem como relacionarmos as etapas da crise capitalista nos  países centrais e suas implicações para as economia subdesenvolvidas, em especial para as finanças públicas e por sua vez para as politicas sociais. É bom lembrar que a redução da inflação acaba, também, por permitir um maior ganho real aos possuidores de títulos públicos.

Os empréstimos externos, que marcaram a gênese do capitalismo monopolista no final do século XIX, se repetiram a partir dos anos 1970, do século XX, apesar de novas determinantes, com a expansão do euromercado de moedas e dos empréstimos das instituições multilaterais: BIRD e FMI. A crise da dívida externa com a moratória mexicana e argentina e a crise de crédito dos anos 80, marcaram a crise do sistema de empréstimos externos. Nos anos 90 tivemos novamente um novo ciclo desta expansão da liquidez mundial, onde novamente os estados subdesenvolvidos criaram as condições para atração deste volume de capital de curto prazo, a partir da elevação da taxa de juros para se obter reservas necessárias para bancar a âncora cambial.

Na metade dos anos 1970 tivemos o início de uma nova crise capitalista, tendo como eixo a queda da taxa de lucro e a crise fiscal e financeira do Estado capitalista. Esta queda da taxa de lucro foi acompanhada por um impasse na reprodução do capital nos países centrais, em especial nos Estados Unidos. Além disso tivemos a crise do Padrão Ouro – dólar, com o fim da convertibilidade dólar,  a crescente inflação estadunidense que aprofundou a crise do dólar. Em agosto de 1979, Paul Volcker assumiu a presidência do FED, quando a inflação estava em 9% ao ano. Para combater a inflação, a desvalorização do dólar e rolar a dívida pública dos EUA,  o FED – Banco central dos EUA elevou brutalmente sua taxa básica de 5% para 20%.

Tal fato replicou sobre a taxa de juros do Euromercado de moedas, e sua taxa flutuante e acabou criando um mecanismo de repasse dos impactos para os agentes privados e públicos que recorreram a este Sistema Monetário Internacional privado. Todavia, esta política de juros altos acabou refletindo, também, na política fiscal do Estado de Alagoas, exigindo um ajuste fiscal para pagar um serviço da dívida cada vez maior. Desta forma, o Estado de Alagoas, juntamente com as demais unidades federativas e demais países da América Latina e do ex-bloco soviético foram atingidos por um mecanismo de dominação financeira que gerava uma relação de dependência direta da política monetária estadunidense. Estava lançado a pedra fundamental para esta unidade federativa, marcada pelo subdesenvolvimento e pelo trato oligárquico do poder político, ser parte do sistema da dívida que se afirmava mundialmente, já nos anos 1980, marcados pelo neoliberalismo na Inglaterra e EUA.

CRONOLOGIA  DE EVENTOS RELACIONADOS A  DIVIDA PÚBLICA EM ALAGOAS

Ano Fato Implicações econômicas
1971 Fim da convertibilidade do dólar Início da crise do dólar
1982 Moratória mexicana e Argentina Inicio da crise da divida e da crise de crédito
1979 Inicio da política de juros altos do FED e do neoliberalismo com eleição de Margareth Tchatcher Tornar os títulos rentáveis e rolar a divida dos EUA retomando a hegemonia do dólar
1987 Moratória Brasileira Início da reestruturação da dívida externa
1989 Plano Brady Renegociação das dividas externas e rolagem por 30 anos com o aval dos EUA
1991 Recessão nos EUA e queda da Ex- URSS Expansão da âncora cambial na América latina e da introdução do neoliberalismo
1993 Lei 8727/93 Conversão  das dívidas externas dos Estados e municípios em dívida pública interna
1994 Introdução da âncora cambial no brasil Inicio da política econômica dos rentistas, da desindustrialização e politica neoliberal
1995 PROER – Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional

 

Programa de salvação de bancos privados tendo como base o dinheiro público
1996 PROES – Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária Programa de salvação de bancos estatais estaduais.
1997 Crise fiscal, rebelião popular e queda de Suruagy Surgimento da Lei 9496/97 e a federalização das dívidas estaduais
1997 Letras financeiras do Tesouro estadual Repasse aos usineiros e empreiteiras invertendo os propósitos dos precatórios judiciais
2000 LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal Criada com a alegação de contribuir para o controle dos gatos públicos, mas que acabou servindo para cortar o gastos sociais .

 

ALAGOAS CAPTURADA PELO EXCEDENTE DE CAPITAIS VINDO DO EUROMERCADO

Segundo Eichengreen (2000) as crises cambiais e o ciclo de endividamento dos países subdesenvolvidos  estão associados as etapas da crises capitalistas nos países centrais e sua busca de novos mercados nos países subdesenvolvidos. Isto  fica mais claro quando resgatamos o processo de endividamento externo de alagoas desde os anos 1970, durante o Regime Militar. Este processo teve inicio em 05 de abril de 1976, durante o governo Divaldo Suruagy, quando o Estado contraiu empréstimo de US$ 40.011.072,00[3], para um programa rodoviário. Este momento é marcado por sinais de desaquecimento do chamado milagre brasileiro e por sinais de crise no Euromercado e por uma tentativa de legitimação da oligarquias regionais que davam apoio ao Regime Militar.

Em 23 de outubro de 1979, o governador Guilherme Palmeira tomou emprestado US$ 78.390.349,80, para financiar a expansão da Salgema S.A[4] e do Complexo Químico de  Alagoas. Neste momento se imaginava que Alagoas poderia dar início a uma etapa de industrialização baseada na química fina. Se dizia que a produção de cloro soda seria uma das mais importantes atividades econômicas do mundo, tendo como principais consumidores os seguintes setores da economia: Papel e Celulose, Química e Petroquímica, Alumínio, Construção Civil, Sabões e Detergentes, Têxtil, Metalúrgica, Tratamento de Água, etc. A construção da fábrica de cloro – soda,  em Maceió iniciou em 1974. Já a produção comercial só teve início em 1977 e a unidade de dicloretano, em 1979. A unidade produtora de eteno passou a funcionar em meados de 1982 [5].

Este processo foi colocado como um meio para a superação do subdesenvolvimento via industrialização. O general Geisel, na tentativa de manter a atividade econômica tendo como foco uma etapa de industrialização baseada na química fina, impulsionou empréstimos externos[6] num momento que o cenário internacional estava marcado pela elevação da taxa de juros básica.

Em 15 de outubro de 1980, ainda no Governo Guilherme Palmeira, Alagoas fez outro empréstimo junto ao Banque Nationale de Paris, destinado a indústria química,  no valor de US$ 55.258.009,71. Estes dois empréstimos somados representaram um total de US$ 133.656.358,00 que convertidos para a moeda atual representariam R$ 427 milhões. Todavia, estes empréstimos ocorrem quando a taxa de juro nos EUA teve uma expressiva elevação, representando um aumento do custo de captação para o Estado de Alagoas. Em seguida a Salgema foi privatizada e transformada na atual Brasken, pertencente a Oderbrecht.

Em 11 de novembro de 1981, ainda no governo Guilherme Palmeiras[7] alagoas faz mais um empréstimo de US$ 50.090.869,09, para programa de desenvolvimento do Estado. Até este momento os empréstimos tinham contrapartidas, mesmo que questionáveis do ponto de ponto social. Entretanto, em 02 de dezembro de 1985, no retorno de Divaldo Suruagy ao governo, ocorreu outro empréstimo de US$ 23.274.098,00, tendo como objetivo renegociar a dívida externa de Alagoas. Neste momento se revelou  o caráter financeiro da dívida, em parte derivado dos efeitos da elevação da taxa de juros nos EUA, tendo em vista o desembolso crescente do Tesouro alagoano.  Este fato é impulsionado pela permanência dos juros altos no Banco Central dos EUA, bem como pela crise de crédito vinda da moratória mexicana e argentina de 1982.

Em 30 de junho de 1989, durante o Governo Fernando Collor, Alagoas tomou emprestado US$ 367.198.387,00 com destinação genérica de conclusão de obra pública. Em 19 de abril de 1994, no Governo Geraldo Bulhões, o Estado contraiu empréstimo no valor de US$ 58.375.128,00 para manutenção de rodovia. O último empréstimo, segundo tabela gerada pelo Banco Central durante a CPI da dívida, o Estado de Alagoas tomou emprestado, durante o terceiro mandato de Divaldo Suruagy do PMDB, no valor de US$ 232.161.121,00, em 1996 tendo como finalidade a regularização das contas públicas.

Alagoas voltou a se endividar em seguida no governo Teotônio Vilela, do PSDB de 2007 a 2015, quando contraiu vários empréstimos. O primeiro foi junto ao BIRD – Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento de R$ 435 milhões. O segundo foi junto BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento para o Programa de Consolidação Fiscal para o Desenvolvimento do Estado de Alagoas (Proconfins) no valor de US$ 250 milhões ou R$ 800 milhões.  Mas a frente tomou emprestado junto Caixa Econômica Federal – CEF R$ 470 milhões. Em seguida contraiu empréstimo junto Banco Nacional de Desenvolvimento  Econômico e Social – BNDES de 249 milhões. Junto ao Banco do Nordeste do Brasil – BNB  tomou emprestado R$ 5 milhões. Por último tivemos mais dois empréstimos que totalizaram RS 317 milhões[8]. O governo Teotônio Vilela acabou sendo responsável pelo maior volume de empréstimo realizado por Alagoas ou R$ 2,276 bilhões.

O ex- Governador Divaldo Suruagy esteve presente em três gestões e representou bem as contradições deste tipo de endividamento. Ele abriu a fase do endividamento em 1976 quando os empréstimos tinham contrapartidas. Em seguida inaugurou o empréstimo sem contrapartida em 1985 para renegociar a dívida externa de Alagoas e em seguida retornou ao governo e fez em 1996 novo empréstimo visando regularizar as conta públicas. O efeito da politica de juros altos dos EUA nas contas  públicas de Alagoas foi grande e acabou tendo uma grande contribuição para o colapso fiscal de 1997 e a queda de Suruagy. Não foi apenas o endividamento externo e os juros flutuantes mas também a gestão temerária do Estado feita pelos agentes privados  responsáveis por este caos.

A LEI 9497/97, A FEDERALIZAÇÃO DA DÍVIDA E A NOVA ETAPA DE EXTORSÃO

A introdução do Plano Real e sua política de juros altos acabaram por acelerar o endividamento dos Estados. Além disso, a crise mexicana em 1995, a crise asiática de 1997 e crise russa de 1998 revelaram a fragilidade do modelo estabilização baseado na âncora cambial e a acentuado risco de fuga de capitais. A contenção do risco de fuga de capitais se deu pela elevação da taxa de juros, que acabava por impulsionar a dívida pública federal. Internamente, em 1997 vivenciamos em Alagoas e na maioria dos estados uma crise fiscal e financeira, que em Alagoas provocou atraso de pagamento  de oito meses para os servidores públicos.

Em resposta a este caos os servidores públicos, incluindo os policiais civis e militares realizaram grande manifestação em frente da Assembleia Legislativa que culminou com a renúncia do Governador Divaldo Suruagy.[9] Mesmo o empréstimo externo feito para regularizar novamente as contas públicas não foi suficiente para conter a eclosão do estrangulamento fiscal de Alagoas. A resposta a este impasse veio com a Lei 9496/97 pela federalização e rolagem desta dívida por trinta anos. Aqui temos o novo acelerador de dívida especialmente pela cobrança de juros de 7,5% mais IGP-DI[10]

Para explicar esta expansão desde 1998 temos que entender seus três elementos motores principais. O primeiro elemento vem  da taxa de juros cobrada[11],  mais o IGP-DI. O segundo vem da pratica do anatocismo ou juros sobre juros entre entes estatais. E por último, pela constante política de renúncia fiscal praticada no Estado, somado aos efeitos da lei Kandir e a desoneração das exportações, que acabam por comprometer a capacidade de arrecadação estadual. O pagamento do serviço desta dívida tem sacrificado progressivamente os gastos sociais através de sucessivos ajustes fiscais, que levam a cortes no financiamento dos serviços públicos essenciais. Este fato fica claro quando analisamos o ano de 2015. Neste momento o Estado gastou R$ 850 milhões com esta destinação, valor superior aos investimentos em Saúde Pública. Segundo a Gerência da Dívida publica de Alagoas, uma dívida que em 1998 era de R$ 2.381.592.379,00, quando foi federalizada e estava 2014 em R$ 9.735.620.041, mesmo já tendo pago R$ 7.253.206.378,00. Veja a tabela abaixo:

Dívida Pública e Serviço da dívida de Alagoas de  1988 2014  
    em R$ 1
Ano Saldo da Dívida (31/12) Serviço da Dívida
1998 2.381.592.379 x
1999 2.875.911.369  142.295.402
2000 3.051.735.878  143.778.270
2001 3.377.685.338  181.944.188
2002 4.307.440.917   397.747.908
2003 4.679.682.643   228.405.030
2004  5.138.596.487   278.508.128
2005  5.325.078.845   434.489.573
2006  6.075.601.157   499.253.457
2007  5.928.443.937   430.289.711
2008  6.707.942.605   499.253.457
2009  6.852.399.563   650.184.416
2010  7.540.733.354   573.607.010
2011  7.846.417.024   685.127.530
2012  8.194.598.593   769.090.192
2013  9.053.082.112   656.031.817
2014  9.735.620.041   683.200.289
Total   7.253.206.378,00

Fonte: Gerência da Dívida Pública de Alagoas  em 25 de maio de 2015

Estes cortes nos gastos sociais atingem de imediato os servidores estaduais na remuneração, na carreira e nas condições trabalho. Ao mesmo tempo, atinge diretamente a maioria da população alagoana que necessita de serviços públicos, comprometendo o atendimento e colocando em risco a saúde dos trabalhadores, já que 90% da população de Alagoas dependem exclusivamente do SUS. Neste quadro várias reflexões são necessárias. A questão fundamental é como esta divida foi constituída e quem foram os beneficiários deste processo de endividamento?

Segundo análise preliminar feita pelo núcleo alagoano pela auditoria cidadã, a partir de  documentos obtidos junto a Secretaria da Fazenda estadual, sabemos que uma grande parte da dívida alagoana foi originada no processo de comprometimento do PRODUBAN. Tal fato acabou por levar a sua liquidação. Naquele momento, para cobrir as dívidas contraídas pelos usineiros o Estado de Alagoas tomou recurso junto ao Tesouro Nacional. Desta forma acabou servindo para anistiar os tomadores de empréstimos feitos por este setor.

O CONFLITO DE INTERESSES NA GESTÃO DO ESTADO

Vale lembrar que os empresários deste setor eram também majoritariamente os governos e os parlamentares das várias etapas deste processo. Portanto, o setor privado sempre esteve na gestão dos vários governos. No momento em que se tenta coloca o setor privado como exemplo de gestão para o Hospital Geral do Estado – HGE, é bom lembrar que os atuais governantes são a expressão exata do setor privado, pois representam em especial os usineiros na gestão do espaço público. O que fazem hoje é a repetição do que fizeram no passado: gerir o público tendo como finalidade os interesses próprios. Agora temos na proposta de privatização do serviço público como forma de obter mais espaço de valorização do capital do setor dominante, que não tem mais nas usinas seu foco principal de investimento.

Outra conclusão que temos é a pratica do anatocismo, ou juros sobre juros, que tem sido um fator determinante na aceleração desta dívida. Nesta direção o STF – Supremo Tribunal Federal, em caráter liminar, já havia aprovado para onze estados a retirada dos efeitos do anatocismo, tendo como referência a sumula 121[12]. Tal decisão se mantida poderia significar a eliminação do saldo devedor da maioria dos estados. Desta forma os recursos até o momento destinados ao pagamento do serviço da dívida poderiam ser alocados para os gastos sociais, implicando em abertura de concursos, reajuste dos salários dos servidores, na garantia das condições de trabalho e na qualidade dos serviços públicos. Além disso, para o financiamento de serviços públicos de qualidade poderiam ser usados os R$ 534 milhões em 2016, que o Estado de Alagoas ofereceu de renúncia fiscal ao setor privado.

No entanto, a direção definida pelos representantes do setor privado, que estão na gestão do Estado é de negar a possibilidade da auditoria da dívida, como consta na constituição de 1988 e aceitar uma renegociação que manterá uma dívida gigantesca e ao mesmo tempo manter a subserviência junto a União por mais 20 anos. Ou seja,  depois de quase 20 anos após a federalização da dívida do Estado,  estamos caminhando para a renovação por mais duas décadas do mesmo instrumento empobrecimento social e enriquecimento dos banqueiros. Tudo isso é possível pois os mesmos grupos políticos que estiveram no poder desde o Regime Militar, quando esta dívida foi impulsionada, continuam de formada metamorfoseada na gestão do Estado. Desta forma  definem os rumos da intervenção do Estado refletindo as demanda deste setor. Assim, temos um conflito de interesse entre os agentes privados que comandam o Estado  e as demandas da maioria da população que sempre fica a margem da ação deste Estado.

Seja na fase da ditadura militar, como do período de democracia formal, as oligarquias regionais sempre estiveram conectadas com os interesses da oligarquia financeira internacional. Tudo isso se reproduziu mesmo quando tivemos no governo o Partido dos Trabalhadores. Estes grupos econômicos, em Alagoas, mesmo não tendo mais o mesmo dinamismo no setor original, se especializaram na disputa do poder político e no momento atual estão revesando no cargo de governador, deputados e senadores. Curiosamente, o discurso que adotam no momento é que o Estado deve ter como referência a gestão privada diretamente com a proposta de privatização da CEAL, da CASAL, do canal do sertão, do CEPA e indiretamente através da expansão das OS seja no HGE ou dos presídios

A MANUTENÇÃO DO SUBDESENVOLVIMENTO E A SUPEREXPLORAÇÃO

A atividade econômica deste Estado baseada no setor sucroalcooleiro, na monocultura, no latifúndio e na superexploração da força de trabalho, acabou gerando um quadro social bastante dramático. Segundo o IBGE existem 1.025.556 pessoas de 10 anos ou mais anos sem rendimento mensal, de uma população total de Alagoas era de 3.120.922 (2010). A população que recebe até um salário mínimo de R$ 937,00, compreende 995.755 hab. Os que ganham de 1 a 2 salários ou entre R$ 937,00 e R$  1.874,00 chegam a 303.759. De 2 a 3 salários mínimos ou entre R$ 1.874,00 e R$ 2.811,00 temos 77.617. De 3 a 5 salários mínimos ou entre R$  2.811,00 a R$ 4.685,00 encontramos 64.876 habitantes. De 5 a 10 salários mínimos ou de R$ 4.685,00 a R$ 9.370,00 temos 54.063 habitantes.  O seguimento que recebe a maior renda mensal atinge 18.217 habitantes ou de 10 a 20 salários mínimos ou entre R$ 9.370,00  a R$ 18.740,00. Com isso verifica-se que os indicadores  de pauperização atingiram 2.325.070 de alagoanos que ganham até dois salários mínimos[13].

Se consideramos o valor do Salário Mínimo Necessário de janeiro de 2017 de R$ 3.811,29, conforme estimativa do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) seria 4,07 vezes o salário em vigor de R$ 937,00. Tal valor do SMN reflete o que consta na constituição federal no artigo 7 parágrafo 4 que afirma que “o salário mínimo nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo”.

Segundo o Dieese, todos aqueles que ganham abaixo deste valor estariam dentro da linha pobreza cheia. Esta seria uma medida para se avaliar a remuneração da força de trabalho em condições próximas do seu valor. Por outro lado, todos os que ganharem abaixo deste valor estariam vivenciando a superexploração da força de trabalho, conforme descrita por Ruy Mauro Marini[14].

Todavia, quando usamos o SMN do Dieese constatamos que aproximadamente 72.280 alagoanos estão acima  da faixa da superexploração da força de trabalho. A industrialização como base na química fina foi colocada como meio para a superação da pobreza de alagoas vinda do seu passado agroexportador. Todavia, os dados apresentados revelam um aprofundamento do empobrecimento social.

Portanto, a aprovação do PLP 257, que terá sérias implicações sobre as três esferas do serviços públicos tende a aprofundar ainda mais este quadro social dramático, já que aprofundará  o desmonte dos serviços públicos. Tal inciativa tenta sincronizar o ataque a todas as esferas do serviço público que poderá extinguir os servidores públicos como forma de se assegurar a continuidade do pagamento do serviço da dívida de Alagoas. Dívida esta que teve seu nascedouro durante o Regime Militar, se expandindo com o Plano Real e com o processo de federalização das dívida estaduais. Esta federalização ocorrida em 1998, conforme a Lei 9496/97, significou a conversão em dívida pública federal prorrogada por 30 anos. Uma dívida que era R 2,3 bilhões em 1999 e chegou a 9,7 bilhões em  2014, mesmo já tendo pago R$ 7.3 bilhões. Com isso o Estado de Alagoas já pagou três vezes a dívida renegociada em 1998 e deve quase quatro vezes.

Considerações finais

O empobrecimento social em alagoas tem várias motivações: a primeira deriva do modelo de desenvolvimento de alagoas, sempre baseado no latifúndio e na monocultura gerando baixos salários e precárias condições de trabalho e expulsão dos camponeses da terra. A segunda vem do caráter predatório da gestão do Estado tendo como centro os grupos privados e o favorecimento do fundo público para a expansão deste setor e por sua vez dos seguidos desmontes das políticas sociais. A terceira fonte vem da crescente renúncia fiscal praticada, que em 2015  foi de R$  477 milhões, chegando a R$ 534 milhões em 2016 e atingindo a R$ 567 milhões em 2017. Além disso temos o efeito da Lei Kandir que desonera  as exportações e contribui para redução da Receita do Estado. Por outro lado, a sonegação também tem o papel grande na redução da Receita de Alagoas.

O modelo de desenvolvimento de Alagoas fortaleceu o latifúndio, a concentração de renda, o dano ambiental, dano as contas públicas, pois o setor que tem toda atenção do Estado pouco contribui as receitas do Estado, seja pela renúncia fiscal, seja pela sonegação, seja pela Lei Kandir.

O primeiro momento de aceleração do processo de endividamento foi o processo de endividamento  externo durante o Regime Militar e suas taxas flutuantes e a submissão da política monetária estadunidense. O segundo acelerador vem com o Plano Real desde de 1994 e sua crescente dependência do capital de curto prazo através da elevação da taxa de juros. Na passagem da fase anterior para a introdução do Plano Real tivemos a conversão das dívidas externas dos estados para dívida interna, como parte das exigências do Plano Brady. O terceiro acelerador veio com a conversão da dívida alagoana em dívida federal pela Lei 9497/97.

O processo dominação financeira constatado em Alagoas pode ser observado nas demais unidades federativas como na maioria dos estados nacionais. Trata-se de um fenômeno que está associado a passagem do capitalismo para a sua fase imperialista e que se aprofundou com o acirramento  das contradições  capitalistas e do aprofundamento da crise capitalista. Tal fato, tem encurtado cada vez as possibilidades das politicas sociais dentro do Estado capitalista, tendo em vista que o pagamento do serviço da dívida pública se converteu num mecanismo de transferência do fundo público para o sistema financeiro. Nesta direção torna-se fundamental perguntar sobre a finalidade do Estado Nacional e se as demandas dos trabalhadores podem ser atendidas dentro do limite do capitalismo ?

BIBLIOGRAFIA

BUKHARIN, Nikolai. La economía política del rentista. Barcelona: Laia, 1974.

______. O imperialismo e a economia mundial. Rio de Janeiro: Laemmert, 1969.

EICHENGREEN, Barry. A globalização do capital: uma história do sistema monetário internacional. São Paulo: Editora 34, 2000.

MARINI, Ruy Mauro. Dialética de la dependencia. México, DF: Era, 1973.

XAVIER, Jurandir. A industrialização subdesenvolvida: capital, classe e Estado na industrialização brasileira. João Pessoa: UFPB Editora Universitária, 1993.

 

[1]     A política de juros altos foi a tônica da politica de estabilização nos EUA no inicio de 1980 e em seguida se desloca para América latina no inicio dos anos 1990 como fundamento da âncora cambial.

[2]    Nos dois casos recebem rendimentos.

[3]     Valores deflacionado em 2013.

[4]     Empresa estatal que em seguida foi privatizada e passou a pertencer a BRASKEN.

[5]          Ver mais em http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAN8cAB/processo-producao-cloro-soda

[6]         A experiência de um Estado subdesenvolvido fazer empréstimos externos para apoiar a introdução de processo de industrialização já tinha sido descrito por Lênin e por Trotsky, ao tratarem da industrialização em regiões da Rússia antes da Revolução Russa, a partir de capital alemão.

[7]     Pai do atual prefeito reeleito de Maceió, Ruy Palmeira do PSDB.

[8]     Ver http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2014/08/divida-publica-de-al-deve-ultrapassar-r-11-bilhoes-em-janeiro-de-2015.html

[9]     Veja video sobre a queda de Suruagy https://www.youtube.com/watch?v=OAQ12xkx6ZM

[10]   Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, calculado pela FGV.

[11]        Inicialmente era de 7,5% mas que em seguida ficou em 6,5%.

[12]   Ver http://sumula-121-stf-anatocismo.zip.net/

[13]           http://www.censo2010.ibge.gov.br/apps/mapa/

[14]   Ver melhor em http://www.scielo.br/pdf/tes/v11n1/a10v11n1.pdf

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19 06 2016

L’avvizzimento dello Stato

di Paul Mattick

In questi giorni, i critici della politica elettorale possono mettersi a sedere compiaciuti e gustarsi lo spettacolo dei partiti politici allo sbando; le preoccupazioni dell’1%, che in realtà vogliono dai loro governi poco più che tasse basse, sussidi alti, pace sociale e tranquillità, e quanto basta di azione militare sufficiente a tenere il mondo al sicuro per la democrazia; e le elucubrazioni dettate dal panico degli esperti politici cercano di dare un senso a tutto questo reclamando la loro funzione ormai perduta di profeti e di interpreti. Naturalmente, quando (com’è più probabile) Bernie alla fine è stato fatto fuori dalla macchina Democratica e si sta chiedendo ai “progressisti” di tapparsi il naso – come hanno finora fatto in tutte le elezioni – per votare l’odiata Hillary e fermare così il terribile Donald, sembrerà di trovarsi solo ad un passo dal precipizio, l’apparentemente inevitabile risultato degli sforzi elettorali volti a non sacrificare il bene per l’impossibile meglio.

Ma stavolta sempre ci sia qualcosa di speciale. Per prima cosa, entrambi i contendenti più dinamici, Trump e Sanders, sono apparentemente entrati in lizza senza aspettarsi di vincere, e si sono impegnati a fare del loro meglio quando hanno scoperto un inaspettato livello di risposta da parte del pubblico votante. Questo è un altro aspetto della quasi completa assenza di contendenti credibili a parte loro due (e, certo, la Clinton, ma senza Sanders lei sarebbe stata la sola del suo schieramento). Il campo repubblicano è stato caratterizzato da una sorprendente serie di imbecilli e nullità; il fatto che Cruz – un uomo talmente detestabile politicamente e personalmente da essere ufficialmente il più odiato nel stesso ripugnante campo politico – fosse l’ultimo non-Donald rimasto la dice tutta. Ciò riflette l’assenza di qualsiasi contenuto nella politica Repubblicana, tranne l’ottusa fedeltà agli americani più ricchi combinata con le rassicurazioni di devozione nei confronti dei bisogni emotivi delle persone appartenenti alla sempre più spossessata classe dei lavoratori bianchi e alla classe medio-bassa.

I repubblicani si erano già trasformati da partito storicamente progressista ed antischiavista in un’organizzazione impegnata a combattere le politiche del New Deal in difesa del laissez-faire, fino a quando Nixon non abbandonò quel valore fondamentale con la sua dichiarazione, per cui “Noi siamo tutti keynesiani ora”, e Reagan lo dimostrò triplicando il debito nazionale. Similmente, i democratici erano una volta un vero partito politico, interessato a modellare la politica nazionale. Da partito schiavista del 19° secolo si sono trasformati in una forza modernizzante, che rispondeva alla Grande Depressione mobilitando lo Stato – soprattutto per la guerra – per salvaguardare il capitalismo americano; ha fatto del suo meglio per modellare il mondo del dopoguerra in un campo di battaglia per fare avanzare l’economia americana e quindi gli interessi politici. Dagli anni 1960, i democratici si sono istituzionalizzati come il partito del “liberalismo imprenditoriale”, come si diceva da parte del SDS (Students for a Democratic Society), tenendo a bada il comunismo mentre mantenevano l’ordine sociale a casa per mezzo di politiche quali rimodellare l’ambiente urbano e “combattere la povertà”, mentre promuovevano le arti e le scienze umane per dimostrare che gli Stati Uniti erano degni della loro preminenza economica. Elettoralmente, si basavano su Jim Crow a sud e sulla fedeltà ai programmi di assistenza per (per lo più) i bianchi, finché il meccanismo non si è rotto sotto l’impatto del movimento per i diritti civili e della sconfitta in Vietnam. Data la sua incoerenza politica, è difficile immaginare perché il partito non avrebbe dovuto abbracciare Sanders come una sorta di trapianto della ghiandola di una scimmia politica, se voleva essere nuovamente un vero e proprio partito. Tutto cospira a suggerire che quello che ci troviamo di fronte qui non è la solita politica, ma qualcosa di nuovo. Per cominciare a capire, dobbiamo tornare a pensare alla vecchia normalità – il funzionamento dello Stato nel capitalismo moderno.

A mio avviso, la miglior guida per una comprensione di base di tutto questo si può trovare nel primo dei cinque volumi di Hal Draper sulla “Teoria della Rivoluzione di Karl Marx”. Qui Draper discute la tendenza dei governi – il cui lavoro è essenzialmente quello di salvaguardare l’esistenza della società moderna assicurando il rispetto per la proprietà privata e per gli interessi particolari, nazionali ed internazionali, degli attori dominanti l’economia nazionale – quello di sviluppare una certa autonomia di azione relativa alle attività economiche dei suoi sponsor. Questa indipendenza dalle preoccupazioni immediate degli uomini d’affari, dice Draper, deriva dal fatto che “di tutte le classi dirigenti conosciute nella storia, il membro della classe capitalista è il meno adeguato, e tende ad essere il più ostile a farsi direttamente carico del funzionamento dell’apparato statale.” I capitalisti vogliono far soldi, non guidare il governo (salvo, più recentemente, come hobby pensionistico). Inoltre, “nessun’altra classe dirigente è così attraversata internamente da gruppi di interesse in competizione ed in conflitto,” con interessi regionali, agricoltura e industria, differenti settori industriali, e molte altre sotto-categorie di affari nazionali in lotta gli uni contro gli altri. Come risultato, sorge la necessità di politici professionali, non diversamente del bisogno di manager per le grandi imprese, “per poter avere un’ampia ed alta prospettiva del sistema che sia diverso dall’approccio del miope affarista.”

Quest’autonomizzazione dello Stato si è potuta vedere chiaramente quando le maggiori economie industriali capitaliste sono emerse nel 19° secolo, quando gli imprenditori britannici hanno lasciato gran parte del funzionamento del governo ai membri della vecchia aristocrazia, e Bismarck ha supervisionato la nascita del capitalismo tedesco ed il disciplinamento con mano di ferra della classe obsoleta dei latifondisti e dei grandi proprietari terrieri. Nel 20° secolo, è diventata particolarmente visibile a fronte della crisi economica, quando lo Stato capitalista è stato consegnato a forti manager come Hitler e Roosvelt, nonostante l’avversione di molti uomini d’affari per alcuni aspetti dei loro programmi economici e politici. Negli Stati Uniti, il New Deal e, soprattutto, la seconda guerra mondiale, portando ad un vasto incremento dell’interferenza governativa sull’economia della proprietà privata, ha rafforzato la tendenza all’autonomia dello Stato durante buona parte del periodo post-bellico.

Paradossalmente, la stessa crescita del “settore pubblico” ha portato all’indebolimento della sua indipendenza. Da un lato, come osserva Draper, “una delle conseguenze della relativa autonomia dello Stato è quella di permettere ai settori dominanti all’interno della classe capitalista di assicurarsi le leve principali del potere.” Negli Stati Uniti, l’esempio moderno più lampante di questo è stato visto all’inizio degli anni 1950 con il presidente Eisenhower sotto il nome di “complesso militare-industriale”. Nel corso del tempo, si sono uniti ad esso il complesso carcerario-industriale ed il complesso medico-industriale, per i cui interessi il presidente Obama ed il suo partito hanno così assiduamente lavorato, insieme agli settori industriali – costruzioni, finanza, istruzione – il cui destino si è sempre più intrecciato con la generosità del governo. Uno dei risultati di tutto questo è la penetrazione negli affari di governo della concorrenza inter-settoriale delle imprese; un altro è l’evoluzione delle stesse politiche in una forma di business, che può essere vista nelle famose “porte girevoli” che legano le industrie alle loro autorità governative di regolamentazione, e che è culminata in un successo spettacolare con il cambiamento attuato da Bill Clinton che trasformava la contesa politica in cambio di valuta internazionale ed attività da faccendiere per dittatori con la mentalità di affaristi. Il fatto che l’attività centrale della politica americana sembra essere diventata la raccolta e l’erogazione di enormi quantità di denaro contante durante le elezioni – fatto che getta nella costernazione coloro che ancora si struggono per un sistema giusto e democratico – è solamente un sintomo di quest’assorbimento dello Stato da parte delle grandi imprese.

Un risultato consiste nella crescente incapacità dello Stato a gestire gli affari comuni dei suoi cittadini, nei limiti piuttosto stringenti imposti dai bisogni dell’economia aziendale. Un obiettivo come quello della legalizzazione dei matrimoni gay, che combina il miglioramento della vita di un certo numero di persone attraverso la celebrazione simbolica delle virtù neoliberiste dell’auto-definizione individuale con la scelta del consumatore può essere (almeno in parte) raggiunto. (Innanzitutto, è gratis.) Ma un aumento significativo del salario minimo – reso necessario dall’abbassamento dello scorso decennio del costo del lavoro ben al di sotto del livello di comfort della classe lavoratrice, se non addirittura della sopravvivenza – avrebbe avuto un impatto reale sui profitti, e questo è il motivo, nella maggior parte dei pochi posti dove è stato introdotto, che sarà spalmato su diversi anni, mentre i prezzi continuano a crescere ed altri costi vengono tagliati. Un sistema sanitario unico, mentre probabilmente sarebbe più a basso costo per l’intero sistema, causerebbe un grave danno alle assicurazioni e all’industria sanitaria.

Il fatto che tale questione – come quella di aumentare i salari – sia ancora in discussione dimostra che lo Stato è ancora consapevole della sua ragion d’essere, anche se i limiti della sua azione sono stretti. Similmente, i governi di tutto il mondo capiscono che il problema più immediato riguardo la razza umana è l’ondata di una moltitudine di catastrofi causate dai cambiamenti climatici indotti industrialmente. Ma sono stati capaci di non combinare assolutamente niente di significativo a fronte della grandezza degli interessi commerciale che oggi dipendono dal regime dei combustibili fossili. Ugualmente, stanno perdendo i governi che desiderano contrastare, in opposizione a quelli che vogliono utilizzare, le forze dell’Islam politico: come sottolineano ripetutamente gli esperti, la soluzione di questo “problema” richiederebbe la trasformazione della società globale in una società basata sull’equità, l’uguaglianza, e la sensibilità governativa riguardo ai bisogni umani.

Come suggerisce quest’esempio, la debolezza dello Stato – e non solo negli Stati Uniti – è in funzione non solo con la sua troppo stretta integrazione con il mondo degli affari, ma anche della mancata corrispondenza fra i suoi mezzi e la scala degli attuali problemi sociali. Un recente numero del New York Times suggerisce le dimensioni di tale mancanza di corrispondenza, così come la difficoltà a vederle da parte dei pensatori di buona volontà. La sezione “Business Day” dell’11 maggio 2016 è caratterizzata da un saggio del commentatore economico Eduardo Porter a proposito della necessità, da parte del governo degli Stati Uniti, di assumersi il compito di gestire la transizione “ad un economia post-industriale in cui ci sia poco lavoro di fabbrica”. Come sottolinea, “il governo ha giocato un ruolo essenziale, a molteplici livelli, nel modellare la transizione della nazione da fattorie e piccole città a città e fabbriche” nel corso del 19° e del 20° secolo.”Potrebbe farlo di nuovo”, asserisce. “Ciò che lo ha fermato non è la mancanza di idee pratiche bensì bensì l’opposizione ideologica ad ogni tipo di attivismo governativo.” Che tipo di idee concrete ha in mente? “Partire con investimenti riguardo alle infrastrutture fatiscenti del governo […] Poi c’è la sanità e l’istruzione.” Per realizzare tali obiettivi, il governo ha solo bisogno di “provare a ricostruire una burocrazia di qualità anziché subappaltare così tanta parte del suo lavoro a costosi consulenti e ad imprese che utilizzano i lavoratori più a buon mercato disponibili.” Quello che ci blocca è “la perdita di una visione […] di che cosa il governo può realizzare, quando gli viene consentito di fare il suo lavoro.”

In cima alla pagina in cui appare l’articolo di Porter, si può leggere il titolo, “Un profeta delle sventure americane: il fallimento fiscale di Portorico arriva in molte città e Stati nei guai.” L’articolo di Mary Williams Walsh spiega come a Portorico “il tasso di disoccupazione è del 45%, scuole ed ospedali stanno chiudendo, ed il debito pubblico è talmente enorme da far sembrare modesto quello di Detroit.” Inoltre, sottolinea, in tutta l’America “dozzine di città, di contee e Stati potrebbero essersi infilati nella medesima tana di coniglio.” Perché? Sembra che il problema non sia la “perdita di una visione” quanto l’incapacità a trattare con “costi differiti.” Ai governi manca il denaro per pagare le pensioni promesse o “le obbligazioni emesse in un lontano passato” – il giorno precedente alla perdita della visione – “per costruire ponti, autostrade, ed altre progetti – anche quando i progetti potrebbero richiedere ritocchi dispendiosi.” È questo il motivo per cui il governo, nonostante l’idea apparentemente sensata di Porter di rifornire di denaro college poco redditizi, ed “aiutare a finanziare pubblicamente le università ed i college statali”, ogni pubblica università che conosco sta cercando di attrarre denaro privato per compensare i tagli della spesa statale e federale.

Il problema di fondo sta nel fatto che i governi nei paesi capitalisti per lo più mancano di proprie risorse economiche, e per soddisfare le loro spese devono tassare o farsi prestare i soldi dai proprietari di capitale. (Le tasse sui salari sono soltanto una forma travestita di tutto questo, dal momento che il denaro che i lavoratori non ottengono potrebbe arrivare allo Stato direttamente dai datori di lavoro). Anche se il debito nazionale ha cominciato ad esistere fin dal 18° secolo, esso ha fatto un grande balzo in avanti con l’espansione dell’attività governativa durante la seconda guerra mondiale, e da allora ha continuato sostanzialmente a crescere: nel 1930, gli Stati Uniti avevano un debito pubblico di 16 miliardi di dollari; oggi tale debito si trova vicino a 19mila miliardi. In termini di percentuale del PIL, il debito federale già nel 1970 aveva raggiunto il 37,9%; nel 2004 si trovava al 63,9%. E questo senza contare il debito locale – città e Stati. Anche se non è stato raggiunto un punto finale alla creazione del debito, di modo che il governo possa continuare a funzionare, questa risorsa non è illimitata. E tutto suggerisce che i limiti, pur sconosciuti, anche ora vengono chiaramente percepiti da coloro per i quali fare soldi è alla base del significato dell’esistenza – e da coloro che devono pagare gli interessi sotto forma di tasse.

La ragione della continua espansione del debito pubblico consiste nel fallimento dell’economia capitalista a produrre la quantità di profitto richiesto per espandere gli investimenti delle imprese sulla scala necessaria per impiegare la popolazione lavorativa in un numero e ad un tasso di retribuzione tali da assicurare il genere di vita cui ci siamo abituati a partire da dopo la seconda guerra mondiale. Ma è questa incapacità stessa dell’economia imprenditoriale ad espandersi abbastanza velocemente che rende impossibile il ripagamento del debito. L’unica alternativa sarebbe, come afferma il guru della finanza urbana Richard Ravitch, citato nell’articolo della Walsh, “la tassazione a livelli di confisca”. Ma questo, naturalmente, non risolverebbe il problema dell’insufficiente redditività. Infatti, significherebbe un passo in avanti verso un’ulteriore acquisizione dell’attività imprenditoriale da parte dello Stato. E, in un mondo nel qualo Stato e Affari sono gestiti dalle stesse persone, con gli stessi interessi concreti, chi lo vuole?

Da qui l’assenza di una visione di quello che il governo può realizzare – e da qui il collasso della politica, con l’azienda che si è specializzata (secondo l’espressione di Bush 41) in “the vision thing”. Parlando con Euardo Porter, il professor Lawrence F.Katz dell’università di Harvard ha descritto “l’enorme problema che c’è d’ora in avanti” come quello per cui: “ci stiamo prendendo cura degli anziani per mezzo di un pugno di lavoratori a salario minimo o per mezzo di persone con un’ottima certificazione che garantisca la migliore assistenza in cambio di una migliore retribuzione?”  In quanto membro de “gli anziani”, sono d’accordo sul fatto che si tratti di un problema enorme. Il professor Katz avrebbe anche potuto chiedere in che modo ci accingiamo ad educare i giovani, inclusi i futuri lavoratori che si prenderanno cura degli anziani, con professori ben pagati come lui oppure con ausiliari con eccessive ore di lavoro, sottopagati; tolto il fatto che già conosciamo la risposta a questa domanda.

Forse attualmente Bernie Sanders – che ha diretto un governo cittadino ragionevolmente funzionante nella deliziosa Burlington, Vermont – ritiene che il suo successo locale risalente a qualche decennio fa possa essere tradotto a livello nazionale. Il carattere illusorio di tale visione emergerebbe immediatamente nel momento in cui fosse messo alla prova dell’ufficio. L’improbabilità che questo possa avvenire nelle disoneste elezioni d’America, tuttavia, è in sé un segno del fatto che un cambiamento significativo non arriverà dai politici. L’assenza stessa di “grandi uomini” – e donne – nella contesa politica testimonia l’esaurimento di questo meccanismo della gestione di quel disastro in corso che è la civiltà moderna. Si può solo sperare che la crescente decomposizione della politica aprirà una strada alla comprensione che il disastro, in definitiva ingestibile, dev’essere affrontato in qualche altro, più diretto modo.

Pubblicato su The Brooklin Rail del 3 giugno 2016 –

fonte: The Brooklin Rail

presente nel sito http://francosenia.blogspot.it/

 

29 05 2016

Perché e quando votare, perché e quando astenersi

di Sergio Manes

La retorica di questa “democrazia” – accettata acriticamente dal comune senso politico – dice che quello del voto è il momento in cui ognuno di noi può decidere e, perfino, scegliere chi deve rappresentare le nostre idee e i nostri interessi nelle istituzioni. Il risultato di queste libere elezioni darà alla maggioranza il potere di decidere e di governare.

Questa “democrazia”, dunque, si compendia 1) nella libertà di scegliere, 2) nel principio che è la maggioranza a decidere.

La realtà è stata sempre molto diversa, e oggi questa diversità è assolutamente evidente.

In questo momento abbiamo di fronte due scadenze in cui siamo chiamati ad esprimere il nostro voto: tra qualche mese, a ottobre, per il referendum sullo stravolgimento della Costituzione e sulla nuova legge-truffa elettorale e, a breve, tra qualche giorno, per le elezioni amministrative.

Si tratta, però, di due cose molto diverse tra loro.

Vediamole una per volta.

A partire da ottobre si tratterà di dire NO all’ulteriore, più grave e definitivo cambiamento delle regole della politica e delle stesse istituzioni attraverso il completo ribaltamento della Costituzione con lo spostamento di ogni potere decisionale dalle assemblee legislative (teoricamente, cioè, dai “rappresentanti” dei cittadini) al governo. Successivamente dovremo esprimere un SI al secondo referendum, funzionale al primo, per l’abrogazione della nuova legge-truffa elettorale, che è la riedizione del famigerato “porcellum”, già dichiarato illegittimo dalla Corte Costituzionale, e pudicamente ribattezzato “Italicum”: il sistema elettorale che impedisce agli elettori di scegliere i propri rappresentanti e abolisce il principio che è la maggioranza dei cittadini a governare. Questi due referendum, dunque, decidono definitivamente se in Italia deve restare una parvenza di democrazia.

A suo tempo sarà opportuno evidenziare dettagliatamente a chi è meno attento i rischi mortali di queste “riforme” svergognando ad una ad una le mistificazioni demagogiche e populiste che cercano di ingannare i cittadini sui loro contenuti e scopi, e chiamando tutti ad una opposizione – oggi ancora possibile – partecipando e votando. Le residue “regole del gioco”, che ancora non sono state cambiate, per il momento lo consentono.

Ora, invece, bisogna parlare dell’imminente voto alle elezioni amministrative.

La questione è notevolmente diversa perché in questo caso – come nelle elezioni regionali e in quelle politiche – sono state già cambiate da tempo alcune delle fondamentali “regole del gioco” che hanno già svuotato o eliminato i contenuti della democrazia limitando moltissimo la scelta della rappresentanza e abolendo il principio che a decidere sia la maggioranza dei cittadini: la forte limitazione del sistema proporzionale in favore di meccanismi orientati sul maggioritario, la personalizzazione del confronto anche attraverso i “ballottaggi” e i premi di maggioranza hanno di fatto cancellato tutti e due i fondamenti di questa democrazia rappresentativa. L’affossamento dei partiti – quali espressioni e declinazioni di istanze e proposizioni collettive – e il ben orchestrato spostamento dell’interesse e dell’oggetto della politica dai diritti sociali a quelli individuali hanno appannato o fatto sparire del tutto le identità e le ragioni delle differenze e del confronto,hanno svincolato gli eletti dai rispettivi percorsi programmatici e organizzativi favorendo ulteriormente la personalizzazione della politica e immettendo nelle istituzioni elettive schiere di “professionisti” della “rappresentanza”.

Questo personale politico – di norma privo di spessore culturale e morale –, preoccupato soltanto di mantenere (o accrescere) il proprio “status” privilegiato di strumento del potere scandisce progettualità e attività sui termini del proprio mandato da rinnovare e, in questo asfittico orizzonte individuale, non disdegna di attingere a piene mani a ogni contenuto demagogico e a ogni forma di populismo pur di raccogliere non il consenso ma la suggestione dell’elettore.

A questa deriva degenerativa non c’è rimedio perché la democrazia rappresentativa non consente di esercitare alcun controllo sugli eletti e, ancor meno, di revocarne il mandato. I partiti – unico parziale argine all’arbitrio dei “rappresentanti” e all’autonomia dai “rappresentati” – sono ormai o un ricordo, o apparati elettorali di quegli stessi signori e di vogliosi aspiranti alle carriere “politiche”, o scialbe involuzioni di se stessi, del tutto privi di autorevolezza.

Ma il progressivo e inarrestabile deterioramento di tutto l’articolato sistema della democrazia rappresentativa non è casuale né la sua degenerazione è frutto di un qualche diabolico disegno. È fenomeno generale ed epocale ed è andato man mano corrispondendo nella sua involuzione alla sempre più grave e irreversibile crisi del sistema economico, politico sociale e culturale a cui era funzionale.

La democrazia rappresentativa è stata la forma concreta di quel potere politico che dalle rivoluzioni americana e francese era stato proclamato appartenere astrattamente a tutto il popolo e che doveva essere esercitato da cittadini liberi e tra loro uguali. Era la sovrastruttura politica della struttura economica basata sul modo di produzione capitalistico.

Per circa due secoli – seppure con modalità e limitazioni diverse – ha assolto il suo compito. Ma, via via che la sua base materiale compiva la sua parabola, il sistema politico si compiva per poi rifletterne le involuzioni e corrispondere alle mutate esigenze di governabilità. La fine della “libera concorrenza” – presupposto cardine di una società di liberi e uguali da governare –, la concentrazione crescente della ricchezza e del potere, infine la stagione transnazionale del capitalismo hanno determinato la impossibile corrispondenza del sistema politico sovrastrutturale alle esigenze e ai rapporti di forza nella società: alla disuguaglianza economica e alla sua centralizzazione non poteva e non può essere funzionale un sistema di governo concepito e basato sulla uguaglianza. Era ed è sempre più necessario adeguare gli strumenti di governo della società alle necessità della disuguaglianza crescente. La libera volontà di tutti doveva essere progressivamente limitata a favore dell’arbitrio dei pochi e il potere decisionale espropriato alla maggioranza. Quindi una destrutturazione crescente del complesso sistema attraverso l’eliminazione dei suoi equilibri interni, lo svuotamento sostanziale delle assemblee elettive e la concentrazione del potere nelle istituzioni di governo, originariamente soltanto esecutive.

Questa articolata mutazione è stata ed è via via percepita dai cittadini – non più “uguali”, se non tra loro, nella comune condizione di sudditi – come non più corrispondente alle proprie esigenze e aspirazioni. Questa percezione è fattore – non unico, ma determinate – di fenomeni tra loro collegati che stanno sancendo la irreversibile obsolescenza del sistema di democrazia rappresentativa. La sfiducia nelle istituzioni e, spesso, il disgusto per la “politica”, il crescente allontanamento da ogni sua forma ed espressione, l’aumento inarrestabile dell’astensionismo o, in temporanea alternativa, il voto “di protesta” o qualunquista come ultima spiaggia: sono tutte chiare dimostrazioni che la democrazia rappresentativa è esausta e prossima alla sua fine anche formale. Grottesca e, ad un tempo, patetica è l’unica alternativa praticabile: scegliere ogni volta il “meno peggio”. Con il trascorrere degli anni e delle elezioni, a chi non vuole vedere e si ostina a pensare di poter “contrastare” l’arroganza e lo strapotere dell’avversario rinnovando testardamente il rito del voto, non si offre una opportunità soddisfacente ma soltanto quella di dare il proprio “consenso” a chi è “meno distante”. E questa deriva parallela del voto “possibile”, con il “naso otturato”, ad ogni elezione, tutta interna al degrado del sistema, irrobustisce la crisi aggravando ogni volta la situazione.

Che la democrazia rappresentativa sia ormai al termine della sua funzione nella storia non è soltanto percepito da un elettorato che sempre più se ne allontana, ma anche dai buoni sentimenti di una intellettualità più attenta o vogliosa. Si fa strada – anche sulla spinta delle numerosissime esperienze di lotta decise a non delegare più la propria rappresentanza – l’idea di una democrazia “partecipativa” che viene immaginata in modo confuso, astratto e contraddittorio, e talvolta sperimentata in maniera pragmatica, priva di conseguenzialità e orizzonte.

Una democrazia “partecipativa” presuppone il ripristino di libertà e uguaglianza tra i “partecipanti”. Tramontata storicamente la finzione che nel corpo sociale tutti siano liberi e uguali, occorre accettare la verità che libertà e uguaglianza possono appartenere ed essere praticate da una parte soltanto della società, da quelle “classi” che ne costituiscono la maggioranza, che producono in comune la ricchezza, che vivono la stessa condizione e hanno gli stessi interessi e aspirazioni.

I comunisti sono gli unici ad aver provato ad aprire la strada a forme di democrazia diretta o partecipativa nel corso di circa un secolo, sono i soli ad avere gli strumenti per riflettere sulla propria esperienza contraddittoria e ad avere gli strumenti concettuali e metodologici per individuare soluzioni possibili e percorsi praticabili.

Non sarebbe utile e urgente che abbandonassero ogni illusione su una rivitalizzazione o un uso ancora possibile della democrazia rappresentativa borghese e, invece di ritardare il rinnovamento provando a riaccreditare un sistema e istituzioni ormai lontani dalla fiducia popolare, piuttosto che lasciare campo libero a teorizzazioni cervellotiche e, spesso, aristocratiche, si cimentassero essi in una ricerca teorica e di lotta sul campo, necessaria per il salto dialettico ad una società di transizione?!?

 

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18 05 2016

una interessante rassegna fatta da un istituto molto reazionario come quello dell’Università di Harvard. Un terzo dei giovani (18-29) si sente di sostenere il socialismo. E, per quanto sia stata posta una domanta vaga dal punto di vista concettuale, per gli Usa questa è sicuramente una novità assoluta che fa ben sperare.

Washington Post: La Maggioranza dei Giovani Americani Oggi Rifiuta il Capitalismo

Sul Washington Post un commento al recente sondaggio dell’Università di Harvard, secondo cui la maggior parte dei giovani americani si dice contraria al capitalismo – cioè al principio fondante dell’economia americana. Solamente tra gli americani di 50 anni o più prevale una visione positiva del capitalismo. Dopo la caduta dell’Unione Sovietica, l’espandersi incontrollato di quella cosiddetta idea di libertà che è il capitalismo deve avere portato molti a un ravvedimento, perfino nel cuore stesso dell’impero. Non c’è ancora però una convergenza d’idee verso un sistema alternativo.

di Max Ehrenfreund, 26 aprile 2016

In ciò che appare come un rifiuto dei principi fondamentali dell’economia americana, un recente sondaggio mostra che la maggior parte dei giovani rifiuta il capitalismo.

Il sondaggio, condotto dall’Università di Harvard, è stato condotto sui giovani dai 18 ai 29 anni di età, e ha trovato che il 51 percento degli intervistati è contrario al capitalismo. Solo il 42 percento è a favore.

Non è tuttavia chiaro in che misura i giovani intervistati preferiscano un certo sistema alternativo. Solo il 33 percento dice di essere a favore del socialismo. Il sondaggio ha un margine di errore del 2,4 percento.

I risultati del sondaggio sono difficili da interpretare, hanno notato gli esperti. Il capitalismo può significare cose diverse per persone diverse, e la generazione dei più giovani, in generale, è certamente delusa dalla situazione attuale.

In altri termini, dire che la maggioranza dei giovani intervistati nel sondaggio dell’Università di Harvard non è favore del capitalismo significa dire che i giovani elettori di oggi sono più attenti ai difetti del libero mercato.

La parola ‘capitalismo’ non significa più la stessa cosa di un tempo“, ha detto Zach Lustbader, dell’Università di Harvard e tra i ricercatori coinvolti nel sondaggio pubblicato questo lunedì. Per coloro che sono nati durante la Guerra Fredda, il capitalismo significava libertà dall’Unione Sovietica e da altri regimi totalitari. Per coloro che sono nati più recentemente, il capitalismo ha significato la crisi finanziaria, dalla quale l’economia globale non si è ancora completamente ripresa.

Un successivo sondaggio condotto su persone di tutte le età, ha trovato che anche gli americani più anziani sono in una certa misura scettici rispetto al capitalismo. Solamente tra gli intervistati con 50 anni o più si trova che la maggioranza è a favore del capitalismo.

Sebbene i risultati siano sorprendenti, i risultati del sondaggio dell’Università di Harvard sono in linea con altre ricerche recenti che mostrano ciò che gli americani pensano del capitalismo e del socialismo. Nel 2011, per esempio, il Pew Research Center già riportava che, in generale, i giovani tra i 18 e i 29 erano delusi e frustrati dal sistema del libero mercato.

In quel sondaggio, il 46 percento degli intervistati aveva un’idea positiva del capitalismo, ma il 47 percento aveva un’idea negativa — la domanda era posta in termini più ampi rispetto a quelli del sondaggio dell’Università di Harvard, nel quale si chiedeva invece esplicitamente se gli intervistati fossero a favore o meno del sistema. Riguardo il socialismo, il 49 percento dei giovani del sondaggio condotto dal Pew Research Center aveva un’idea positiva, e solo il 43 percento aveva un’idea negativa.

Lustbader, giovane di 22 anni, dice che l’incupirsi dell’idea del capitalismo si vede dal modo in cui i politici parlano dell’economia. Quando i Repubblicani — un tempo i paladini della libera impresa — usano la parola “capitalismo” oggi, di solito è per lamentarsi del capitalismo clientelare, dice Lustbader.

Oggi non si sentono più le persone di destra difendere le loro politiche economiche usando quella parola“, ha aggiunto.

Resta da capire se gli atteggiamenti dei giovani verso il socialismo e il capitalismo implichino che essi stanno rifiutando il libero mercato per principio o se esprimano più semplicemente un’ampio senso di delusione verso un sistema economico nel quale i redditi delle famiglie sono in calo da 15 anni.

Sulla domanda specifica su quale sia il miglior modo di organizzare l’economia, per esempio, le idee dei giovani sembrano contrastanti. Solo il 27 percento crede che il governo debba svolgere un ruolo maggiore nella regolazione dell’economia, secondo quanto riportato dal sondaggio di Harvard, e solo il 30 percento ritiene che il governo debba intervenire maggiormente per ridurre le disuguaglianze di reddito. Inoltre, solo il 26 percento ritiene che la spesa pubblica sia un metodo efficace per aumentare la crescita economica.

Ad ogni modo, il 48 percento degli intervistati ritiene che “la copertura sanitaria di base deve essere un diritto garantito ad ogni cittadino“. Il 47 percento è d’accordo con l’affermazione che “le necessità fondamentali, come l’alimentazione e l’alloggio, sono un diritto che il governo dovrebbe garantire a chi non è in grado di pagarseli da solo“.

I giovani stanno dicendo che ci sono problemi e contraddizioni nel capitalismo“, ha detto Frank Newport, caporedattore di Gallup, quando gli abbiamo chiesto di commentare i dati. “Di certo non ho idea di cosa gli passi per la testa“.

John Della Volpe, capo sondaggista ad Harvard, è andato personalmente a intervistare un piccolo gruppo di giovani per capire più a fondo la loro opinione verso il capitalismo. Gli hanno risposto che il capitalismo è ingiusto ed esclude le persone anche quando queste si impegnano e lavorano duramente.

Non stanno rifiutando il concetto,” ha detto Della Volpe. “Ciò che rifiutano è il modo in cui il capitalismo viene oggi praticato, è questo che non vogliono“.

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20 04 2016

un intervento interessante – anche se talvolta discutibile – pubblicato su sputniknews.com

l Governo italiano ha deciso di mandare Yoram Gutgeld, consigliere di Palazzo Chigi e guru economico del premier Renzi, alla prima giornata dei lavori della Commissione Trilaterale, svoltasi quest’anno a Roma.

Meno “segreta” del Bilderberg ma non meno discussa, la Trilaterale è un club (amorevolmente definito “gruppo di studio” da Wikipedia) creato dal miliardario David Rockefeller per facilitare l’instaurazione di un nuovo ordine mondiale che cancelli le singole sovranità nazionali. A prescindere dall’opportunità di partecipare ufficialmente tramite un proprio esponente a una riunione del genere, non si può che provare profondo imbarazzo per Gutgeld, che in cotanta sede si è beato dei successi presunti o futuri dell’esecutivo italiano, quello che ha ricevuto negli ultimi giorni la suddetta sequela di stop. Gutgeld, da buon catalizzatore di effimeri consensi, si è astenuto dal citare questi inconvenienti, preferendo lanciarsi nell’annuncio dell’ennesimo intervento shock: un taglio di 25 miliardi alla spesa pubblica. Chissà cosa ne direbbe l’ex commissario alla Spending Review Carlo Cottarelli, che si era spontaneamente dimesso dopo che il Governo aveva evitato per l’ennesima volta di tagliare alcunchè e anzi continuava in quell’osceno tassa-e-spendi che da decenni ammorba l’Italia.

Le riduzioni paventate dal consigliere economico di Renzi sortiranno probabilmente i medesimi effetti avuti sulle Province: enti che risulteranno aboliti sulle slide propagandistiche del Presidente del Consiglio e che invece continuano a esistere svuotati di senso e delle risorse necessarie ad attuare le funzioni, ma non degli elevati costi di funzionamento. Vedere come su un palco tanto esclusivo possa salire chi sta sistematicamente fallendo il risanamento di un Paese, depotenzia alquanto chi grida al complotto accennando alla Trilaterale.

Certo, a meno di pensare malignamente che la rappresentanza del Governo italiano sia invece giustificata proprio dal suo sporco lavoro di svilimento continuo delle Istituzioni statali. Dopo Gutgeld è salito in cattedra Mario Monti, stendendo su questa faccenda ombre ancora più scure, vista la convinzione espressa molte volte da quest’ultimo sull’inutilità dei singoli Stati sovrani: anche in questa Trilaterale romana, l’ex Presidente del Consiglio pare essersi concentrato sulle preoccupazioni che gli genera il malfunzionamento dei sistemi politici nazionali, quei mostri che bloccano l’incedere dell’Europa verso un radioso futuro di integrazione. I popoli, con le loro meschine e provinciali peculiarità, sono vissute da Monti come un fastidio che ha rallentato l’esecuzione del suo compito di premier, quello di cedere sempre più poteri all’Unione europea e alla Nato.

Bandiera NATO
UK Ministry of Defence

Negli anni dei due governi tecnici targati Bilderberg abbiamo registrato questi inquietanti fenomeni: svendita di larga parte del patrimonio italiano di aziende e marchi storici; assenza di qualunque politica estera degna di questo nome o di un qualche indirizzo politico che non fosse quello piegato alle grandi organizzazioni internazionali; progressivo impoverimento del ceto medio attraverso una tassazione selvaggia che ha innalzato l’indebitamento delle famiglie, da sempre la colonna portante della Penisola.

Il ministro di Finanze italiano Pier Carlo Padoan
© AP Photo/ Giuseppe Aresu

Insomma, quello andato in onda alla Trilaterale di Roma è stato l’ennesimo colpo inferto alla sovranità del popolo italiano. Una batosta assestata nel silenzio assordante della stampa (con poche eccezioni): nulla di strano, d’altronde, essendo questa la scelta editoriale dei centri di potere che l’organizzazione di Rockefeller rappresenta. Non si può che essere fortemente preoccupati da un Paese che sceglie di inchinarsi a personaggi influenti che risiedono al di fuori della politica e al di fuori dei nostri stessi confini nazionali. I governi si avvicendano limitandosi a fare i compiti a casa — ieri era succhiare il sangue al ceto medio e svendere il patrimonio, oggi è applicare un po’ di Spending Review — invece di disegnare traiettorie per un futuro migliore che coniughi e valorizzi le specificità territoriali. Nemmeno questo ormai ci stupisce: non si viene invitati come relatori in un club esclusivo se non si hanno le credenziali per farne parte, almeno a livello teorico. Farebbero bene i nostri concittadini a porsi delle domande sulle frequentazioni dei membri del Governo. E a chi ha fermato il suo pensiero alle categorie sinistra/destra/centro, moderati/progressisti etc., rammentiamo le parole — datate 1991 — pronunciate dal fondatore della Trilaterale David Rockefeller:

Il mondo è pronto per raggiungere un governo mondiale. La sovranità sovranazionale di una élite intellettuale e di banchieri mondiali è sicuramente preferibile all’autodeterminazione nazionale praticata nei secoli passati.

 

16 12 2015

Un ottimo contributo apparso su Contropiano.org sul più che probabile rialzo dei tassi della FED

La Fed pronta al rialzo, ma al buio

Natale, tempo di svolta? In realtà non c’è data meno adatta per i cambiamenti drastici, semmai lo sarebbe Capodanno. Ma sui mercati finanziari globali, quest’anno, si attende la decisione della Federal Reserve statunitense, al termine dela due giorni di riunione del Fomc (Federal open market committee, il consiglio direttivo della banca centrale Usa) che si chiuderà domani pomeriggio.

La decisioni di alzare i tassi è ormai certa, Dopo oltre un anno di annunci, sempre rinviati, ne verrebbe minata la credibilità del presidente, Yanet Yellen, e di tutto il vertice. Quindi l’aumento, dall’attuale zero virgola zero cinque – fermo a questo livello da sei anni – ci sarà di sicuro.

Le domande che interessano i mercati sono perciò più specifiche: di quanto sarà il rialzo? La Yellen ha promesso un percorso lento e graduale, quindi sarebbe lecito attendersi un +0,25%. Quasi nulla, se non rappresentasse comunque un’inversione di tendenza. Quindi ci sarà molta attenzione nel leggere la comunicazione con cui la Fed accompagnerà la decisione.

La banca centrale Usa si sta muovendo, come tutte le altre, in una situazione non prevista da nessun trattato di politica monetaria. Dopo sei anni di tassi zero, infatti, ci si dovrebbe attendere una pressione inflazionistica molto forte, ben superiore a quel +2% che gli stessi manuali liberisti indicano come “fisiologica”, dunque sana e auspicabile.

Primo problema: non solo in Europa, ma neanche negli Stati Uniti l’aumento dei prezzi si avvicina minimamente a quel livello. Dunque un rialzo dei tassi, classica misura di politica monetaria tesa a contrastare l’inflazione, da questo punto di vista non ha senso.

È vero che negli Usa il tasso di disoccupazione – che rientra come secondo obiettivo nell’indirizzare le scelte della Fed, al contrario della “monotematica” Bce, interessata per statuto alla sola inflazione – è sceso al 5%, meno di quel 6% giudicato sui manuali come “fisiologico” (senza spiegare mai per quale ragione un simile livello sia da considerare ottimale). Ma tutti sanno, e in primo luogo i vertici della Fed, che quel dato è completamente fasullo. Le statistiche Usa prendono infatti in considerazione soltanto quelli che stanno cercando attivamente un lavoro, iscrivendosi agli uffici di collocamento. Tutti gli altri, i cosiddetti “scoraggiati”, quelli che hanno smesso di cercare un’occupazione perché convinti di non poterla trovare, sono res nullius, invisibili. Anche se rappresentano cifre colossali: quasi il 33 per cento degli americani sopra i 16 anni non fa parte della forza lavoro ufficialmente censita. In pratica, i senza lavoro Usa sfiorano i 100 milioni di unità.

Vi sembra impossibile? Basta fare un piccolo calcolo: rispetto al 2008, primo anno dell’attuale crisi, la popolazione residente nel paese è aumentata di oltre 16 milioni, mentre gli occupati – tra alti e bassi legati all’evoluzione della crisi – sono rimasti sostanzialmente invariati. Se le statistiche sulla disoccupazione riflettessero dunque la realtà sociale, dovremmo attenderci una cifra praticamente doppia rispetto ai quasi 9 milioni di americani ufficialmente “disoccupati”.

Anche da questo punto di vista, dunque, il rialzo dei tassi è ampiamente immotivato.

Ma ci sarà, altrimenti tutto il mondo finanziario dovebbe prendere atto che siamo in un altro mondo, e che tutte le conoscenze accumulate in quello precedente non valgono più in questo. Una constatazione da panico, diciamolo…

E qui sorge un altro problema. In realtà quasi tutto il mondo finanziario sa benissimo come stanno le cose, anche se solo da punto di vista empirico, del proprio ristretto interesse individuale (ogni società finanziaria ragiona per sé). Ma in questi sei anni di tassi zero la finanza globale ha imparato a “governare” indirettamente le banche centrali, costringendole a muoversi tutte verso il “pavimento” dei tassi zero (quasi un assurdo, in regime capitalistico) e ad andare anche oltre, con quantitative easing che di fatto equivalgono a regalare denaro alle banche private che lo chiedono in prestito (l’assurdo finale: i “tassi negativi”, per cui il capitale investito sa in partenza di non poter rientrare dell’intera cifra investita).

Ora quel mondo attende le mosse della Fed con una batteria di meccanismi – in molti casi robotizzati, automatici – che può mettere in ginocchio in un attimo anche la banca centrale Usa.IlSole24Ore di oggi, per esempio, riporta la “profezia” di Marko Kolanovic, un analista talmente rispettato da meritarsi il soprannome di Gandalf, che segnala ben 670 miliardi di “opzioni” in scadenza – sui mercati statunitensi – il giorno dopo la decisione della Fed. Si tratta di strumenti pensati per guadagnare in un mercato che crolla – fino ad un punto limite, naturalmente; in questo caso il -5% dell’indice S&P 500 – e che scatteranno quasi certamente se la Fed non accompagnerà l’annunciato rialzo con una “rassicurazione” di esser pronta a tornare indietro, se necessario, anche in tempi rapidi.

Surreale? Certo… Ma quando mai è successo che il denaro venisse prestato a costo zero per sei ani consecutivi senza che ci fosse almeno l’odore di un’inflazione alle porte?

16 12 2015

continuano gli interventi di straordinaria rilevanza di Alberto Negri, una delle poche voci realmente in grado di leggere materialisticamente la realtà mediorientale. Tenteremo di dare contezza delle sue analisi ai nostri lettori anche nei prossimi giorni.

Alberto Negri – I gattopardi del Medio Oriente e occidentali

Grande la confusione sotto il cielo del Medio Oriente e nelle cancellerie occidentali e arabe. Qual è la strategia Usa? Buttare dentro tutti nel campo di battaglia contro l’Isis in modo da evitare di mettere lo stivale a terra e salvare la faccia delle petro-monarchie che hanno finanziato il terrorismo e inviato ovunque nel mondo musulmano gli Imam più radicali ed estremisti.
Gli Usa negoziano con la Russia, e quindi anche con l’Iran, l’uscita di scena di Assad e garantiscono sia Israele che i sauditi. Impressionante il silenzio di Gerusalemme: una guerra in casa e gli israeliani, sempre pronti a dire la loro su tutto, che non proferiscono parola: probabilmente hanno un patto con Mosca sul Golan e gli Hezbollah in Libano ma anche con i sauditi perché sono arrivati persino a circolare foto di guerriglieri qaedisti di Al Nusra curati negli ospedali israeliani.
La coalizione a guida saudita appare un altro fronte anti-sciita per sostituire quello jihadista e dare magari una veste accettabile ai gruppi più radicali sostenuti dalla monarchie del Golfo sia nel Siraq che in Yemen dove Riad utilizza al Qaeda contro gli Houthi sciiti, chiamati chissà perché ribelli quando sono sostenuti anche dall’ex presidente Saleh. Ribelli forse ai voleri di Riad.
In oOcidente la stampa britannica esulta per la coalizione saudita anti-terrorismo, quasi un ossimoro, che però permette di mantenere ricchi contratti e continuare a vendere pezzi di industrie e compagnie europee alle monarchie del Golfo.
Le fazioni libiche a quanto pare non firmeranno subito l’accordo per il governo di unità nazionale, nato con l’idea di trasferirlo a Tripoli. La partizione libica è in atto da tempo ed è forse l’unica che funzionerà: dipende da come si divideranno le risorse. E infine anche l’Italia, che spera di dire la sua sulla Libia, è costretta a mettere piede in Iraq con la storia alquanto confusa di proteggere i lavori alla diga di Mosul: è da vedere se l’Isis e i jihadisti lo permetteranno senza reagire. Ma così vogliono gli americani e Obama per darci uno strapuntino al tavolo dei negoziati e consentirci di portare a casa petrolio e gas nel Mediterraneo, dopo avere strepitato contro i tedeschi per il Nordstream 2 con la Russia. Inutile prendersela solo con questo governo: è assente il Parlamento, è assente un intero Paese, e non da oggi.
Quanto alla Turchia, il vero grande malato dell’Occidente, bisogna tenere in piedi Erdogan al quale forse la situazione è sfuggita dal controllo anche in casa: ma siamo proprio sicuri che sia stato lui a decidere di abbattere il caccia russo? Dovrà accontentarsi del petrolio di Barzani continuando ad accanirsi sui “suoi” curdi. Addio sogni di gloria di un Sultano dimezzato: se la Fed alza i tassi, lui come gli altri emergenti dovranno fare i conti con un’altra svalutazione della moneta.
La realtà è che tutti adesso cercano di mettere di soppiatto un piede in Siria per potere dire una parola sulla futura spartizione del Paese e del resto della regione: non è detto che la divideranno ma ogni contingente proteggerà le proprie maggioranze o minoranze di riferimento settario o etnico. E’ la versione del Gattoppardo in salsa mediorientale: tutto cambia perché nulla cambi.

26 10 2015

ripubblichiamo un articolo già uscito su http://www.comedonchisciotte.org/site/modules.php?name=News&file=article&sid=15749 che fornisce una chiave di lettura su quanto sta avvenendo pericolosamente in Portogallo senza che venga fatta praticamente menzione da queste parti

L’EUROZONA PASSA IL RUBICONE. ALLA SINISTRA ANTI-EURO VIENE IMPEDITO DI ANDARE AL POTERE

DI AMBROSE EVANS PRITCHARD

telegraph.co.uk

Su The Telegraph, il mai tenero Ambrose Evans-Pritchard ha scritto un violento articolo che in meno di un giorno ha già oltre mille commenti in calce. In effetti ciò che è successo in Portogallo, almeno in Europa ed in questo millennio, non ha precedenti: il Presidente della repubblica portoghese ha rifiutato esplicitamente di incaricare il leader del partito socialista, che aveva vinto le elezioni ed è in grado di formare un governo con la maggioranza parlamentare, ed in sua vece ha incaricato il leader dello sconfitto partito di destra uscente (Fonte).

Si profila una minacciosa crisi costituzionale, dopo che alla Sinistra anti-austerità è stata negata la prerogativa parlamentare di formare un governo di maggioranza. Bruxelles ha veramente creato un mostro.

Il Portogallo è entrato in acque politiche molto pericolose. Per la prima volta dalla creazione dell’Unione Monetaria Europea uno Stato membro ha esplicitamente vietato ai partiti euroscettici di formare un governo, accampando motivi d’interesse nazionale.

Anibal Cavaco Silva, Presidente costituzionale del Portogallo, si è rifiutato di nominare un ‘governo di coalizione’ di sinistra, anche se questa aveva la maggioranza assoluta nel parlamento portoghese, dopo aver vinto le elezioni con una campagna elettorale basata sulla distruzione del regime di austerità lasciato in eredità dalla ‘troika’ Ue-Fmi.

Egli ha ritenuto troppo rischioso lasciare che il ‘Blocco di Sinistra’ e i comunisti si avvicinino al potere, sostenendo che i ‘conservatori’ debbano continuare a governare, anche se in minoranza, per soddisfare Bruxelles e placare i mercati finanziari esteri.

La democrazia deve restare in secondo piano e lasciare il passo all’imperativo più alto, costituito dalle regole europee e dall’adesione all’euro.

“In 40 anni di democrazia nessun governo in Portogallo si è mai basato sul sostegno delle forze anti-europee, di quelle forze che vogliono abrogare il ‘Trattato di Lisbona’, il ‘Fiscal Compact’, il ‘Patto di Crescita e Stabilità’, oltre che smontare l’Unione Monetaria, portare il Portogallo fuori dall’euro e sciogliere la NATO”, ha dichiarato il Presidente Cavaco Silva.

E ha aggiunto che: “Questo è il momento peggiore per un cambiamento radicale dei fondamenti della nostra democrazia. Dopo aver aderito ad un oneroso programma di assistenza finanziaria, che comporta dei pesanti sacrifici, è mio dovere fare tutto il possibile, nell’ambito dei miei poteri costituzionali, per evitare che dei falsi segnali vengano inviati alle istituzioni finanziarie, agli investitori ed ai mercati”.

Il Sig. Cavaco Silva ha anche affermato che la grande maggioranza del popolo portoghese non ha votato per i partiti che vogliono un ritorno all’’escudo’, o che desiderano una traumatica prova di forza con Bruxelles.

Questo è vero, ma è saltato ben al di sopra dell’altro forte messaggio pervenuto dalle elezioni che si sono tenute tre settimane fa: la fine dei tagli salariali e dell’austerità imposta dalla ‘troika’. I partiti di sinistra hanno vinto con il 50,7% e sono guidati dai socialisti, che controllano l’’Assembleia’.

Il premier conservatore Pedro Passos Coelho è stato ricevuto per primo ed è stato incaricato di effettuare il primo tentativo per formare il governo, ma la sua ‘coalizione di destra’ ha solo il 38,5%. Ha perso 28 seggi [http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11912333/Portuguese-political-stalemate-threatens-to-derail-eurozones-model-pupil.html].

Il leader socialista Antonio Costa ha reagito in modo rabbioso condannando l’azione del Presidente, considerata un ‘grave errore’ che minaccia di precipitare il paese in una tempesta politica: “E’ inaccettabile usurpare una competenza che spetta esclusivamente al parlamento. I socialisti non prendono lezioni dal ‘professore’ Cavaco Silva riguardo la difesa della nostra democrazia”.

Il Sig. Costa ha promesso di portare avanti il suo piano volto alla formazione di una ‘coalizione di sinistra’, avvertendo che il superstite governo di destra dovrà affrontare in parlamento un’immediata votazione di sfiducia.

Secondo la Costituzione del Portogallo non ci possono essere nuove elezioni fino alla seconda metà del prossimo anno. Si rischia una paralisi lunga quasi un anno, che porterebbe il paese in rotta di collisione con Bruxelles e che potrebbe riaccendere la ‘crisi del debito’ del paese.

Il mercato obbligazionario ha reagito con calma agli eventi di Lisbona, ma questo non è più un indicatore sensibile, visto che la Banca Centrale Europea rastrella il debito portoghese attraverso il suo ‘Quantitative Easing’.

Nonostante il Portogallo non sia più sotto il regime della ‘troika’ e non debba affrontare un’immediata crisi dei finanziamenti, avendo riserve di liquidità superiori a 8 miliardi di euro, il Fmi sostiene che il paese resta ‘altamente vulnerabile’ nel caso di una nuova scossa, o se non riuscisse a portare avanti le riforme, attualmente considerate in ‘fase di stallo’.

Il debito pubblico è al 127% del Pil mentre il debito totale è al 370%, peggiore di quello greco. Le passività nette sull’estero, inoltre, sono a più del 220% del Pil.

Il Fmi ha avvertito che il ‘miracolo delle esportazioni’ portoghese non ha una base solida, perché è portatore di uno scarso valore aggiunto: “Non c’è stato un durevole riequilibrio dell’economia”.

“Il Presidente ha creato una crisi costituzionale”, ha sostenuto Rui Tavares, eurodeputato verde-radicale. “Sta dicendo che non permetterà mai la formazione di un governo di sinistra che comprenda i comunisti. Le persone sono stupite da quanto è successo”.

Il Sig. Tavares ha aggiunto che il Presidente, invocando lo spettro dei comunisti e del ‘Blocco di Sinistra’, ha agito da ‘uomo di paglia’ [della Commissione Europea] per evitare che la sinistra vada al potere. Egli sapeva benissimo che quei partiti, con un accordo di compromesso, avevano convenuto di abbandonare le richieste di uscita dall’euro, di ritiro dalla Nato e di nazionalizzazione delle leve fondamentali dell’economia.

Il Presidente Cavaco Silva potrebbe comunque aver ragione nel sostenere che un governo socialista, alleato dei comunisti, finirebbe con il causare un grande scontro con i ‘mandarini dell’austerità’ dell’UE. Il ‘grande piano’ del Sig. Costa per una reflazione in stile keynesiano – guidata dalla spesa per l’istruzione e per la sanità – è del tutto incompatibile con il ‘Fiscal Compact’ dell’UE.

Questa legge assolutamente folle obbliga il Portogallo a tagliare il suo debito fino al 60% del Pil nei prossimi 20 anni – facendolo precipitare in una permanente ‘trappola dell’austerità’ – analogamente a quanto sta facendo il resto dell’Europa meridionale, in un contesto mondiale che vede all’opera delle potenti forze deflazionistiche.

La strategia di ridurre l’enorme debito del paese stringendo permanentemente la cinghia è in gran parte autolesionistica perché l’effetto denominatore, in un Pil nominale stagnante, aggrava la dinamica del debito.

[Oltre che autolesionistica] è anche inutile. Il Portogallo chiederà senz’altro la cancellazione dei debiti quando la prossima recessione globale colpirà sul serio. Non vi è possibilità di sorta che la Germania possa essere d’accordo per un’’unione fiscale’ che arrivi in tempo per poterla evitare.

La conseguenza principale della protrazione dell’agonia è la profonda isteresi [1] che affliggerà il futuro sia del mercato del lavoro che dei cronicamente bassi livelli d’investimento.

Il Sig. Cavaco Silva sta effettivamente usando la sua funzione per imporre un’agenda ideologica reazionaria, nell’interesse dei creditori e dell’Unione Monetaria, definendola insolentemente come una ‘difesa della democrazia’.

I socialisti e i comunisti portoghesi hanno ‘seppellito l’ascia di guerra’ sulle loro aspre divisioni [con i comunisti che hanno fatto passi avanti verso i socialisti] per la prima volta dai tempi della ‘rivoluzione dei garofani’ e del rovesciamento della dittatura di Salazar, nel 1970. Ma, nonostante questo, viene loro negata la prerogativa parlamentare di formare un governo di maggioranza.

Questa è un un’iniziativa pericolosa. I conservatori portoghesi ed i loro alleati nei media si comportano come se la Sinistra non avesse il legittimo diritto di andare al potere e che, anzi, debba essere tenuta sotto controllo con qualsiasi mezzo.

Questi riflessi sono familiari ed agghiaccianti per chiunque conosca la storia iberica del XX secolo, o quella dell’America Latina. Il fatto che tutto questo sia stato fatto in nome dell’euro, comunque, era del tutto prevedibile.

In Grecia il movimento Syriza, primo governo di Sinistra radicale ad insediarsi in Europa dopo la 2a Guerra Mondiale, è stato schiacciato per aver osato confrontarsi con l’ideologia dell’Eurozona. Ora, per la sinistra portoghese, si è dato il via ad una variante dello stesso tritacarne.

Ora i socialisti europei devono fronteggiare un dilemma. Si sono finalmente resi conto della sgradevole verità – ovvero che l’Unione Monetaria è un autoritaria ‘impresa di destra’ che ha infilato la democrazia in un guinzaglio – ma, se agiscono di conseguenza, rischiano che venga loro impedito, in tutti i modi, di andare al potere.

Bruxelles ha veramente creato un mostro.

Ambrose Evans-Pritchard

Fonte: www.telegraph.co.uk

Link: http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11949701/AEP-Eurozone-crosses-Rubicon-as-Portugals-anti-euro-Left-banned-from-power

23.10.2015

Scelto e tradotto per www.comedonchisciotte.org a cura di FRANCO

Fra parentesi quadra [ … ] le note del Traduttore ed inoltre:

[1] Fenomeno secondo cui una grandezza, funzione di una o più altre grandezze, a un dato istante ha un valore che dipende non solo dai valori che esse assumono in quell’istante, ma anche da quelli che esse avevano negli istanti precedenti.


09 10 2015

In ricordo del compagno Pablo Rieznik, scomparso meno di un mese fa, di seguito pubblichiamo un recente scritto di Osvaldo Coggiola, più volte collaboratore della nostra rivista
Un Hombre, un Partido, una Generación

PABLO RIEZNIK (1949 – 2015)

La muerte de Pablo Rieznik nos priva de mucho más de lo que se imagina, de más de lo que ha sido dicho hasta el momento, sin restar ningún mérito a lo que se dijo. Lo conocí como “Aníbal” en 1971, en Córdoba sin duda, donde yo vivía y militaba, aunque no recuerde en que exacta circunstancia. Charlamos por última vez hace poco tiempo. En el medio, 45 años de relación política y personal, feliz o borrascosa, apuntando hacia un objetivo político e histórico común. Una infinidad de anécdotas. La certeza de haber conocido y querido a un ser humano singular, irrepetible e insubstituible. Quiero apuntar aquí algunas cosas básicas, a partir de mis recuerdos y experiencia. A finales de 1971, con 22 años, Pablo fue uno de los coordinadores del Congreso Nacional de la TERS (Tendencia Estudiantil Revolucionaria Socialista), hacia la formación de la ORJ (Organización Revolucionaria de la Juventud, como la llamábamos entonces), proceso que concluyó, a finales del año siguiente, con la creación de la UJS (Unión de Juventudes por el Socialismo) en un congreso realizado en la Facultad de Arquitectura de Buenos, al que concurrieron más de mil jóvenes, de Buenos Aires, Mar del Plata, Bahía Blanca, Rosario y Córdoba, que era el “radio de acción” de Política Obrera, la organización trotskista creada en 1964. Pablo, estudiante de economía en la UBA, ya era un dirigente nacional de esa juventud, si no el principal, el más conocido públicamente. En 1971, yo era un recluta reciente, estudiante de historia y economía en la UNC (Universidad de Córdoba), incorporado a la TERS (y a PO) dentro de un grupo originado en la “izquierda nacional” (llamada entonces PSIN), corriente que había conquistado la dirección de la FUA (Federación Universitaria Argentina), en alianza con un sector de Franja Morada, en el congreso realizado en la Facultad de Ingeniería de Córdoba, a finales de 1970.

Dos años de edad nos separaban (sólo bastante después, las conversaciones “personales” no eran muy frecuentes entonces, caímos en la cuenta que habíamos frecuentado la misma escuela secundaria, el Colegio Nacional de Buenos Aires, en los años 60), pero ambos éramos miembros de lo que después se llamó “generación del Cordobazo”, referencia a la gesta de obrero-estudiantil de 1969, que en esa época no tenía ningún nombre, y mucho menos cualquier imagen mítico-romántica (“setentista”, o como se la llame). Pablo se había incorporado a Política Obrera en 1969, en la Facultad de Economía de Buenos Aires.

En 1971, por primera vez, la TERS tuvo delegados en un congreso de la FUA (la tendencia había participado en el congreso de 1970, con una fuerte agitación política, pero sin ningún delegado). Ese año, 1971, a mediados de año, Claudio Waisbord (principal dirigente de la TERS en Córdoba, célebre por la foto que lo retrataba “en acción” durante el Cordobazo, publicada en las revistas porteñas, ver arriba) y yo participamos como delegados de Córdoba (y de la TERS) en el CNC de la FUA (en Tucumán), de lo que nacieron algunas relaciones políticas, que acabaron siendo importantes (para Pablo, inclusive). Pablo y yo volvimos a Tucumán, donde “no teníamos nada”, al año siguiente, tejiendo una efímera alianza con la LIA, una agrupación estudiantil tucumana independiente que dirigía el centro de estudiantes de la Facultad de Derecho. En los congresos de la FUA de 1971 (en Ciencias Económicas de Córdoba) y, especialmente, de 1972 (después de las elecciones de centros de estudiante en Buenos Aires, en las que la TERS tuvo un gran desempeño), la TERS tuvo un número creciente de delegados. Pablo, en parte gracias a la alianza (un mini “frente de izquierda”) con la LIA, fue elegido miembro de la Junta Ejecutiva de la FUA (eran quince miembros, que se reunían públicamente). Creo que fue el primer militante de PO (o “del” PO, como ahora se dice) que ocupó un cargo político público de alcance nacional.

Entre 1971 y 1975 Pablo fue nuestro principal portavoz (orador) en los congresos de la FUA. Y también el principal dirigente en los congresos de la UJS: el último congreso de la UJS antes de la dictadura de Videla fue realizado clandestinamente en Buenos Aires en 1975, poco después del Iº Congreso de Política Obrera, en el que Pablo fue elegido miembro del Comité Central (después de una destacada actuación en el congreso). Era, desde luego, el principal responsable en las (numerosas) reuniones de la dirección nacional de la UJS realizadas por aquellos años. No eran reuniones ni congresos pacíficos: las divergencias y las discusiones, hasta violentas, eran corrientes; conducir todo a buen puerto no era tarea para cualquiera y, sobre todo, no era tarea para un burócrata (si lo hubiera sido, hubiéramos tenido por lo menos media docena de escisiones). Pablo fue el principal responsable por la conducción política de nuestra corriente juvenil en esa década revolucionaria.

Pero fue mucho más que eso. En 1970-1975, especialmente en los años finales de la dictadura militar de Onganía – Levingston – Lanusse, la FUA fue la principal tribuna política nacional en la que se confrontaban las diversas corrientes de izquierda (las plenarias nacionales clasistas del Sitrac/Sitram [1971], o de Villa Constitución [1974], sólo tuvieron una sesión). En esos años, Pablo fue el mejor orador de la FUA. El PC, en 1970, había escindido la FUA (creando la llamada “FUA La Plata”, con su exclusiva y única participación) porque no tenía programa, ni política, ni huevos, para bancarse los debates de la FUA, y porque quería meter un aparato estudiantil propio en el ENA (Encuentro Nacional de los Argentinos, un engendro político anticlasista). Los congresos de la FUA (llamada “FUA Córdoba”, un buen nombre) se hacían con barras enormes, el barullo era constante, a muchas intervenciones nadie les daba bola, pero cuando Pablo hablaba se hacía siempre el silencio.

Que Pablo fuese el mejor orador de la FUA se lo escuché decir a delegados radicales, reformistas, peronistas, maoístas y hasta a foquistas (que nos odiaban, por nuestra crítica abierta al aventurerismo-substitucionismo militarista). Hasta los estalinistas (PCA), la secta más infame, lo reconocía. “Habla bien”, decían. “Es la línea política”, decíamos nosotros. Eran las dos cosas, y algo más. Los congresos estudiantiles duraban días, las intervenciones duraban entre cinco y diez minutos, en los que Pablo conseguía referirse a los problemas tácticos inmediatos, a los problemas políticos generales y hasta a los problemas teórico-programáticos. Llegaba a las alturas de la filosofía política, para bajar de inmediato a las luchas de la semana que viene. Nadie lo hacía así, despertaba admiración, no “hablaba mejor”, era superior. Muchos de esos delegados fueron después diputados, senadores y hasta gobernadores. No Pablo, y no, como se ve, porque le faltaran condiciones. Durante esos años, en la principal tribuna política del país, el Cordobazo, el Mendozazo, el Tucumanazo, el Rosariazo, el clasismo, la revolución socialista, hablaron por la boca de Pablo.

Los “oradores profesionales” de la FUA, algunos con más de una década de experiencia en la función, adoptaban en general una postura de esfinges misteriosas de sus sectas. Pablo circulaba por los pasillos de los congresos tranquilo y risueño, comía sándwiches de mortadela con todos, siempre bromeando y divirtiéndose con sus compañeros y también con sus adversarios. Pablo era el militante anti-secta por excelencia. Su sola presencia jovial y extrovertida destruía la caricatura legendaria del trotskista solitario, siempre con cara de enojado y de prisión de vientre, promotor de escisiones, que sólo salía de su cápsula para putear a todo el mundo (inclusive en su partido o partidito) por todos los motivos y desviaciones posibles, por el simple hecho de existir, una versión laica del cura o rabino lavador del pecado original. Pablo era el comunista del Manifiesto, aquel que “en todas fases (y circunstancias) representa siempre los intereses generales do movimiento”. Pablo podía ser muy duro y estricto (y lo era) en congresos y reuniones internas, pero dejaba esa dureza en la puerta del recinto, o en el límite temporal de la reunión, y nunca le daba un tono personal.

Pablo no era sólo el “dirigente de las grandes ocasiones”, o de los grandes eventos. Estaba en el día a día de la actividad, en todos los frentes posibles, en todas las tareas. En 1973, bajo la hegemonía aplastante de la JP en las universidades porteñas (no en el interior), después de la victoria electoral del peronismo, algunas asambleas de facultad de la UBA habían llegado a prohibir el uso de la palabra (¡en asambleas!) a la TERS-UJS, debido a nuestras críticas y posición independiente frente al gobierno peronista (frente al quetoda la izquierda, “trotskista” o guerrillera incluida, había sacrificado su independencia política).En las asambleas en que la UJS conseguía hablar, la JP porteña respondía con el edificante coro de “Dale Boca”…

En una elección de centro, la JP rasgó y arrancó uno de los cartelones (que todos usaban) en papel velado, con textos en marcador, de la UJS, que criticaba al gobierno. Pablo llegó al lugar del hecho, e inmediatamente armó un mini acto de protesta con las personas que allí estaban. Se juntó un público, con gran mayoría de la JP y de “montos” reales o verbales (estos, los peores, eran una plaga). Pablo exigió que la JP remendara el cartel de la UJS y lo volviera a colocar en su lugar, lo que despertó la reacción risueña de la mayoría de los presentes. Sin inmutarse, y frente a la mirada estupefacta de los peronistas de hora reciente, Pablo se dirigió a uno de los cartelones de la JP, lo rasgó y lo arrancó. Miró a los representantes de la “juventud maravillosa” con ojos desafiantes y sin palabras: éstos se limitaron a observar todo con la boca abierta, pese a su número harto superior. Pablo se retiró con los militantes de la UJS, en medio del silencio; una fuerza desconocida acababa de enfriar la fiesta camporista.

En 1975, Pablo estaba en Córdoba, durante la huelga general de junio-julio. Su primer hija, Marina, nació en ese momento en Buenos Aires, noticia que llegó por teléfono (una de las pocas cosas que funcionaban) a mi casa, donde Pablo paraba. No había colectivos, ni ómnibus de larga distancia, ni estaciones de servicio, que funcionasen. De algún modo, llegamos a la salida de Córdoba por la Ruta 9, la del Arco, donde Pablo comenzó a “hacer dedo”. Los autos hacían trechos cortos, no había nafta disponible (legalmente, al menos). En un día y medio, después de muchas etapas y “dedos”, Pablo llegó a la Capital, para estar junto a su mujer (Alejandra Herrera) y su hija recién nacida, hoy destacada historiadora de la ciencia en Argentina.

Pocas semanas después, Pablo ya estaba militando nuevamente en Córdoba, en las campañas electorales en las que íbamos a obtener nuestras primeras victorias en elecciones de centros universitarios (en Buenos Aires éramos, como máximo, segundos). En los últimos meses del año, en medio a una oleada represiva y de asesinatos a mansalva (de la Triple A o de los “Libertadores de América” de Luciano Benjamín Menéndez), el cierre de la universidad por el interventor de la UNC (un tal Menso) nos impidió obtener esas victorias, algunas (Arquitectura) ya descontadas hasta por los diarios. Con la UJS organizamos, a partir de una asamblea general de la FAU, la última marcha callejera en Córdoba antes de la dictadura militar (las otras tendencias se habían “mandado a guardar”) en protesta contra el cierre de facultades, con pocos detenidos por lo sorpresiva (la gente nos miraba boquiabierta cuando desfilábamos en las calles del centro). Poco antes de eso, hubo el cortejo que llevó los restos mortales de Agustín Tosco desde el club Redes Cordobesas, que fue ametrallado por los paramilitares en el cementerio de San Jerónimo.    

Después vino la dictadura militar. Me tuve que rajar de Córdoba, e ir a Buenos Aires: toda persona llamada “Coggiola” (un apellido poco común, y ciertamente bastante notable) era detenida en los controles militares en los puentes cordobeses. Yo estaba jurídicamente en libertad condicional, después de una encanada más larga en 1974: “porte de arma de guerra”, era la carátula del proceso, después del allanamiento y clausura del local de Política Obrera (en la calle Rondeau 633, cerca de la terminal de ómnibus), de que yo era el apoderado legal en Córdoba, y también el que alquilaba el local. Instalada la dictadura, mi hermano, Rodolfo, fue secuestrado y torturado en Córdoba (fue liberado). Gracias al estado de sitio decretado por el “demócrata” Ítalo Luder en 1975 (continuado por la dictadura militar), mi causa permaneció abierta hasta… 1984. Años después me enteré de que, también, había sido expulsado de la UNC por el interventor militar. En Buenos Aires, en los días iniciales de la dictadura, Pablo se conmovió al verme dormir en el piso de la piecita que me sirvió de refugio provisorio: me consiguió un colchón.

En esos meses bravos de 1976 hacíamos cosas, las posibles, en Buenos Aires. Intentábamos organizar la resistencia juvenil a la dictadura asesina. El periódico “Política Obrera” pasó a ser publicado clandestinamente, como Adelante y luego como Tribuna, para después retomar su nombre original, hasta el número 336. Con Pablo, hacíamos la revista de la UJS, Juventud Revolucionaria, que circulaba de modo clandestino, modestamente mimeografiada. Nos encontrábamos en un barcito en el subsuelo del GEBA, en el centro (calle Bartolomé Mitre o Cangallo), para ver, escribir y corregir los artículos. Publicamos una poesía del español Marcos Ana, sobre los sufrimientos de las madres que visitaban a sus hijos presos en las cárceles, después de la guerra civil española. Lo comparamos con los sufrimientos de las madres argentinas en situación semejante. Las desapariciones ya eran conocidas, la palabra “desaparecidos”, sin embargo, no era todavía corriente. Escribimos en la revista que las madres y parientes de presos y “detenidos ilegales” argentinos se podrían organizar y abrir un frente de lucha decisivo contra la dictadura militar. Mediados de 1976: todavía no existían las “Madres de Plaza de Mayo” ni la Comisión de Parientes de Detenidos y Desaparecidos. Lo escribimos y después, con Catalina Guagnini y otras madres, también lo hicimos.

Me fui del país casi un año después. A Pablo lo secuestraron en 1977, y lo sometieron a torturas atroces. “Era boleta”, pero lo salvó la movilización de sus próximos, y una fuerte e inmediata movilización internacional, que ya ha sido descripta. Estuvo “detenido” (secuestrado) en el campo de exterminio llamado “El Atlético”. La presión internacional sobre embajadas argentinas y personalidades (Francia, Brasil, España) fue decisiva para salvarlo. Agrego un datito más: el telefonema de David Owen, ministro de Exteriores de Inglaterra (del gobierno Callaghan, laborista, antes de la Thatcher) a su embajada en Buenos Aires, para que interfiriese por Pablo. Por orden (sic) de Betty Hamilton, histórica militante trotskista inglesa (casi 90 años y peluca), que había reclutado a Owen, en 1960, para el Partido Laborista. Lo sé porque estaba allí. El peso que eso pudo haber tenido en la liberación de Pablo, no lo sé. Lionel Jospin, diputado socialista francés, después primer ministro, también se movió en el mismo sentido.

Pablo fue liberado del campo de la muerte en mal estado y se fue al Brasil con su familia (dos hijos ya, Marina y Andrés, este nacido en 1976, en plena dictadura, hoy físico y matemático brillante). Sobre su experiencia de la tortura siempre fue bastante circunspecto. Hablamos, sin embargo, sobre eso. Fue excepcionalmente valiente, como ya consta, lo que no significa la idiotez de que no tuviera, de que no hubiera tenido, miedo. Pensó que se moría a los 27 años, y tuvo miedo. La valentía no consiste en ser un inconsciente, sino en enfrentar el dolor físico y el propio miedo a la muerte, en enfrentar al enemigo y enfrentarse a sí mismo. Pablo enfrentó los dos, y los venció. Llegó a decir “quiero vivir” a sus torturadores, y no se permitió más. La tortura le dejó secuelas físicas por un buen período de tiempo. Años después, como se sabe, declaró en los procesos judiciales abiertos contra sus torturadores, denunciando públicamente no sólo a ellos sino también al conjunto del régimen político y social que engendró la peor monstruosidad de la historia argentina.

En Brasil, donde vivió por seis años, Pablo se repuso físicamente y se reintegró rápidamente a la actividad política. Ante la escisión del CORCI (Comité de Organización por la Reconstrucción de zla IV Internacional) participó de la lucha política brasileña que llevó a la formación de “Causa Operária” (Organización Cuarta Internacional), que participó desde el inicio en el PT (Partido de los Trabajadores) como corriente revolucionaria diferenciada, hasta ser excluida del mismo en 1990. Viajó al Perú, donde reclutó en Lima a una organización (Comité por el POR) que participó, junto a PO y al POR boliviano, en la creación de la Tendencia Cuarto-Internacionalista (TCI).

En medio de esa lucha política internacional, Pablo redactó un documento político decisivo, si no el más importante, firmado con su histórico nombre de guerra de “Aníbal”: la “Respuesta a Just” (Stéphane Just), un extenso texto de 1979 (que debería urgentementeser reeditado, junto con otros) en el que, además de pulverizar políticamente a la corriente llamada “lambertista”, replanteó y desarrolló cuestiones básicas del programa revolucionario internacional a la luz la experiencia histórica de las últimas décadas. El texto, brillante, fue publicado y circuló en Argentina como una de las bases político-ideológicas hacia el futuro Partido Obrero. Lo publicamos también en Paris, lo divulgamos donde pudimos en toda Europa (dudo, lamentablemente, que algún trotskista europeo, divididos entre dogmáticos sectarios obtusos y oportunistas de todo pelaje, siempre en medio a querellas de secta, haya comprendido siquiera una única línea).

En Brasil, Pablo completó sus estudios en economía en la PUC (Universidad Católica de San Pablo), los activistas de los años 70 difícilmente concluían sus carreras en Argentina. Al poco tiempo de recibido, pasó a ser profesor concursado de esa misma institución, durante breve tiempo, hasta su retorno a la Argentina, en 1983. El salario que le permitió mantener (modestamente) a su familia, que fue incrementada en Brasil por un tercer hijo (Martin) provino esencialmente de su empleo como investigador en el Cebrap (Centro Brasileño de Análisis y Planeamiento) donde creó y animó el “Grupo de análisis de la coyuntura económica”. Por ese grupo de trabajo pasaron, y aprendieron con Pablo, varias figuras brasileñas después públicas: Eduardo Modiano (futuro presidente del Banco de Desarrollo del Brasil, BNDES), Antonio Kandir (que dio su nombre a la ley que establece la distribución de uno de los principales impuestos federales entre la Unión y los Estados brasileños), Gesner de Oliveira (durante años presidente del Consejo Administrativo de Defensa Económica – CADE, del Brasil) y otros. Publicó artículos en la Folha de S. Paulo y en revistas especializadas. Le sobraban talento y formación para hacer carrera como economista, del sector público o privado, pero continuó su carrera militante, e inició una carrera en la docencia e investigación universitaria.

Su modesta casa paulistana en la calle Cardeal Arcoverde, donde fui recibido y me alojé al llegar al Brasil (fines de 1981 – inicios de 1982), que ya abrigaba una familia numerosa, era también local de alojamiento y punto de reunión de los militantes y dirigentes de PO que venían de Argentina y aquellos que se encontraban exilados en Brasil, como Jorge Altamira, Ismael Bermúdez, Pablo Ferrari y otros. Se comía lo que se podía y se dormía donde era posible. Durante la guerra de las Malvinas, Pablo militó en el “Comité de Solidaridad con el Pueblo Argentino”, compuesto básicamente por exilados argentinos, que encabezó una fuerte agitación política (contra la agresión angloyanqui y contra la dictadura militar de Galtieri) en la capital paulista, incluyendo solicitadas en los diarios y un acto público en la “Praça da Sé”, frente a la catedral.

Escribió en Brasil su primer libro (“Endeudamiento externo y crisis mundial”) que fue publicado en la segunda mitad de los años 1980 por el Clacso (Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales), en Buenos Aires. Como su propio título lo indica, el libro se adelantó a su época, y es hasta el presente una referencia sobre el tema. Pablo, capaz de los más grandes esfuerzos intelectuales, físicos y políticos, era también capaz, crónicamente distraído, de complicarse con las cosas más banales del día a día. No lo puedo criticar por eso (una vez olvidé las llaves de mi casa dentro de la heladera de la suya). Recuerdo una ocasión en que una lluvia torrencial derribó parte del techo de su casa, lo que para Pablo planteaba problemas equivalentes a la cuadratura del círculo. Finalmente envió un telegrama a la inmobiliaria a la que alquilaba, exigiendo que resolvieran el problema arreglando el techo. La inmobiliaria respondió positivamente; Pablo, contento y aliviado, como niño con juguete nuevo, mostraba el telegrama (o carta) de la inmobiliaria a todos los que conocía, explicándolo como si fuera equivalente a la victoria griega sobre los persas en las Termópilas. Si alguien le hablaba de sus méritos políticos o literarios, al contrario, se hacía el distraído.  

Derribada la dictadura, Pablo volvió a la Argentina, a Buenos Aires, transformándose en un puntal en la construcción del Partido Obrero. Se empleó provisoriamente como bancario y luchó por un puesto de docente en la Universidad de Buenos Aires, hizo varios concursos (fue inclusive reprobado en uno, por una banca presidida por Enrique Tandeter ¡debido a su “currículum poco académico”!), hasta finalmente conseguirlo, venciendo el concurso para Profesor Titular de Economía en la Facultad de Ciencias Sociales de la UBA, en la que enseñó e investigó durante tres décadas.

En la nueva etapa política argentina, Pablo fue nuevamente un militante de vanguardia. Todos recuerdan su intervención en un programa de TV, al inicio de la “democracia” restaurada, en nombre del PO, cuando todos los políticos presentes se dirigían con respeto a Osvaldo Cacciatore – el brigadero-chorro-asesino que gobernó Buenos Aires entre 1976 y 1982 -, candidato a cualquier cosa por el partido del Chancho Alsogaray, mientras Pablo lo denunció como un agente del genocidio militar y lo calificó en su propia cara de “rata de albañal”, lo que provocó la retirada voluntaria y silenciosa del ex intendente, con el rabo entre las piernas. Contra los “demócratas” oportunistas y cagones, que sólo querían prenderse de los presupuestos estatales y abrir líneas de negocios, Pablo salvó públicamente la honra de la democracia argentina, lo que ya le valdría una mención en la historia. Sería necesario transcribir y reproducir integralmente su intervención en esa ocasión.

Pablo fue candidato a diputado, a senador (¡proponiendo la extinción del Senado!) y hasta a vicepresidente del país, por el PO. Su popularidad superaba los porcentajes electorales. El partido se lo reconocía: en un congreso nacional del PO, Pablo fue el miembro más votado en la elección del Comité Central, el único con votación unánime, superando por un voto a Jorge Altamira. Como militante sindical clasista, participó de la creación de la gremial docente (AGD-UBA) y de la refundación del sindicato nacional docente universitario (CONADU). Y tuvo tiempo para tener dos hijos más (Julián y Tomás) con su nueva compañera, María.

No dejó de ser, tampoco, un militante internacionalista, que ya había militado en Francia (en su primera juventud) y en Brasil. Volvió a realizar intervenciones políticas, conferencias o participaciones en congresos políticos, en Uruguay y Brasil. Representó al PO en el Foro de San Pablo, exigiendo la expulsión del partido burgués boliviano que participaba del Foro y de un gobierno de su país que había decretado el estado de sitio y encarcelado a centenas de dirigentes obreros; una intervención histórica, que también hay que rescatar y republicar, que concluyó en una moción de orden que tuvo el apoyo de diez organizaciones y partidos políticos, incluido el PC paraguayo, el último de los partidos presentes que había salido de la clandestinidad dictatorial.

Participó de las reuniones que condujeron a la fundación de la CRCI (Coordinación por la Refundación de la IV Internacional), y en reuniones de la propia CRCI, representando al PO. En una reunión internacionalista que organizamos en 1998 en Brasil, con la presencia de diversas organizaciones, incluido el movimiento de los campesinos sin tierra (MST), sus ideas y su oratoria (en portugués) llamaron la atención de los dirigentes nacionales del MST que estaban presentes, José Rainha y Gilmar Mauro, al punto que lo llevaron para que hablase cuanto quisiese en una importante ocupación de tierra que se realizaba en una localidad vecina. Pablo explicó la crisis capitalista mundial a los campesinos brasileños que, en ese momento, eran la vanguardia de la lucha de clases continental.    

Y continuó escribiendo. Cada vez más. Muchos artículos. Varios de ellos fueron reunidos después en libros, que son recopilaciones. Pero también escribió libros, esto es, textos con aliento y extensión de libros que, en sus líneas generales, ya estaban completos en su cabeza antes de que escribiera la primera línea. Ideas que, por su tamaño o extensión, sólo podían ser expresadas en libros. Estos libros – “Las formas del trabajo en la Historia”, “El mundo no empezó en el 4004 antes de Cristo –Marx, Darwin y la ciencia moderna”, “Un mundo maravilloso. Capitalismo y socialismo en la escena contemporánea”, “La pereza y la celebración de lo humano”, “La Revolución Rusa en el siglo XXI”, para nombrar los principales – pueden parecer vulgarizaciones, con toda la connotación peyorativa asociada a la palabra “vulgar”. Pero no lo son, o mejor, no son sólo eso (la vulgarización de lo bueno es un arte de los más nobles, por otro lado).

Académicamente, acabó por ser respetado, aunque lo suyo nada tenía de una carrera académica convencional. Publicó una revista,Hic Rhodus, que es de lo mejor que se produjo (y produce) en la academia argentina, con un criterio amplio y mano bien firme. Como no podía dejar de ser, los que le reprocharon su carácter “no académico”, académicamente, no le llegaban a los talones. Con un bagaje intelectual que le venía de los tiempos del Nacional Buenos Aires (a cada rato se acordaba de las lecciones de química o física) y de lecturas febriles, poco sistemáticas (así son las lecturas de los militantes, en general) a lo largo de años, Pablo se rehusaba a encerrarse en los límites académicos de la “especialidad”. Era marxista, claro, pero completamente abierto, no en el vulgar sentido del término (esto es, inconsistente). “Pablo se sorprendía”, como apuntó correctamente Lucas Poy. Y en eso consistía su ortodoxia.

Ya enfermo, continuaba a leer vorazmente, y comentaba todo lo que leía, lo que descubría, queriendo escuchar opiniones. No tiraba la teoría por la borda en nombre de la “novedad”, como hacen no pocos académicos en busca de un nicho exclusivo (en general, una pobre imitación), ni quería “adaptar” el marxismo a la manera revisionista (sería mejor decir ignorante): buscaba construir teóricamente a partir del legado de la teoría marxista  y de los debates económicos, históricos, antropológicos, filosóficos y científicos – de las ciencias exactas – contemporáneos (sí, todo eso). Sus libros están ahí para probarlo, no es cuestión de discutirlos ahora en el detalle, pero continuarán a ser leídos por años y años. Sin decirlo ni pensarlo, se había propuesto la tarea de un titán.       

En sus últimos días, ya a sabiendas del fin próximo, continuaba a escribir, privándose del sueño. Leía sobre el cáncer, y buscaba su significado más allá de la destrucción física. Y escribió hasta reflexiones sobre la vida y la muerte, donde no falta la política. Esto también hay que publicarlo. Hay que reunir lo que Pablo escribió que no está en libro, las mejores fotografías, y publicar todo. Pablo vivió intensamente, en épocas revolucionarias y en épocas sombrías, fue hasta el fondo en todo lo que hizo, y esto lo consumió físicamente, provocándole una muerte prematura, cuando todavía le quedaba mucho por decir y hacer. ¿Puedo osar decir que fue esto lo que sucedió con muchos otros de su generación, la generación argentina que más vidas dio por la revolución, en formas de muerte directamente violentas (como las que Pablo vio cara a cara) o “menos violentas”? No para pedir compasión, pero, por favor, sáquense el sombrero, que aquí pasa uno que no vivió al divino botón (sería mejor decir al pedo). Conocí a varios que murieron de infarto poco después de salir del chupadero, cuando “lo peor” ya había pasado. No cuentan, claro, entre los muertos de la dictadura. Y, sobre este asunto, mejor parar por aquí.

Pablo fue militante de vanguardia, en Argentina y en el exterior, fue un tribuno revolucionario de los mejores de nuestra historia, bancó la prisión y la tortura, bancó el exilio, publicó una decena de libros, escribió centenas de artículos, publicó y editó revistas, dio clases por más de treinta años, dio conferencias y participó en congresos académicos y políticos en más de diez países, siempre inquietando o conmoviendo a su público (Pablo hablaba igual en cualquier tipo de congreso, reunión o simposio), investigó y suscitó investigaciones, fue el mejor amigo de sus amigos; como no podía dejar de ser, pasó por crisis matrimoniales semejantes a la guerra de Troya, y tuvo tiempo para criar cinco hijos: para hacer todo lo que hizo, en una vida relativamente corta, harían falta unas diez personas, y no sería lo mismo. ¿Quién, hoy, puede mostrar una hoja de servicios semejante? Nadie. Repito: nadie.

Hasta siempre, querido Pablo, hasta la victoria siempre, Aníbal, que un día, no lejano, la Argentina y el mundo finalmente te merezcan.

Esto no es una nota necrológica. Es la celebración de una vida. De una que, como pocas, quiso ser con todas las otras. Si fuera una nota necrológica, comenzaría convencionalmente por un epígrafe citado de algún poeta (a Pablo no le gustaba mucho la poesía, aunque digería a Antonio Machado y Dylan Thomas). A Pablo, todos los poetas le quedaban chicos. Que se sepa.

Osvaldo Coggiola   

 

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